Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Lula acredita que o país sairá da crise com inflação controlada

Segunda, 02 de Março de 2009 às 09:02, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu aos ouvintes do seu programa, no rádio, que a inflação brasileira está sob controle e que ficará dentro da meta estabalecida para 2009 e para 2010. Segundo ele, a alta registrada no início deste ano é “sazonal”, provocada por setores como educação e transporte.

– Nós temos consciência de que inflação controlada significa mais poder aquisitivo para os trabalhadores e de que inflação alta significa prejuízo. Por isso, vamos cuidar para que a inflação fique definitivamente controlada e para que não seja um problema para o povo brasileiro – disse.

No programa semanal Café com o Presidente, Lula afirmou estar “preocupado” com a possibilidade de aumento do desemprego no país. Ao comentar o corte de 20% nos postos de trabalho pela Empresa Brasileira de Aeronáutica  (Embraer), o presidente avaliou o caso como “uma grande anomalia”.

– Chamei a direção da Embraer e disse que eles foram precipitados, que poderiam ter negociado com os trabalhadores. Já tínhamos outras experiências no Brasil em que a negociação é o melhor caminho. Obviamente que vamos trabalhar para ver se a Embraer consegue ter as encomendas, produzir os aviões e vender, porque essa é a certeza de que teremos os postos de trabalho ocupados pelos trabalhadores outra vez – afirmou.

Lula avaliou que a construção civil deve crescer em 2009 e que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caminham “de maneira extraordinária”. Para ele, outros setores da economia brasileira também já começam a dar sinais de recuperação e, uma vez normalizado o crédito, o país vai entrar “em ritmo de crescimento mais forte e mais poderoso”.

– Vou para a reunião do G20 (grupo de países em desenvolvimento) no dia 2 de abril com a perspectiva de que a gente possa encontrar uma solução para normalizar o sistema financeiro e controlá-lo melhor – anunciou.

Crise econômica

Lula também afirmou estar convencido de que o país entrou por último na crise financeira internacional e de que sairá dela antes de todos. Ele manifestou otimismo, mais uma vez, em relação à recuperação da economia brasileira por meio do que considera “um mercado interno potencial e extraordinário”. Ao comentar os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre desemprego, o presidente admitiu que o mês de fevereiro “certamente” fechará com queda na oferta de postos de trabalho. Mas a previsão do governo, segundo ele, é de que os números comecem a melhorar já a partir deste mês.

– Nós prevíamos um primeiro trimestre muito delicado por conta da crise internacional. Mas, ao mesmo tempo, todas as medidas que tomamos, seja a liberação de mais crédito para financiar capital de giro, seja o incentivo à construção civil, seja repassar mais dinheiro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tudo isso tem um processo de maturação que, na minha opinião, começa a melhorar agora, a partir de março – afirmou.

O presidente também lembrou a escassez de crédito em todo o mundo e afirmou que ainda quer negociar com o Banco Central e com o Ministério da Fazenda maior redução do spread bancário (diferença entre as taxas que os bancos pagam ao captar dinheiro no mercado e o juro que cobram nos empréstimos). Ele acredita que estratégias como a de ampliar os postos de trabalho por meio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além do lançamento do programa habitacional que irá distribuir 1 milhão de casas populares para pessoas com renda entre zero e dez salários mínimos, “dinamizam” a economia brasileira.

– Volto a repetir aquela velha história da roda gigante: se as pessoas consumirem adequadamente, se comprarem aquilo que necessitam, o comércio vai vender e vai encomendar das fábricas, que vão produzir mais e, portanto, vamos gerar os empregos necessários aqui dentro do Brasil – concluiu.

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