Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Lula acredita que embargo a Cuba vai acabar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou, nesta segunda-feira, estar otimista com a possibilidade de os Estados Unidos colocarem um fim ao embargo e aceitarem a reincorporação de Cuba à Cúpulas das Américas. Lula revelou que esses temas foram tratados na Cúpula das Américas realizada no fim de semana, e afirmou que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem a oportunidade de alterar as relações entre o país e a América Latina. Presidente brasileiro elogia capacidade de discernimento de seus colegas

Segunda, 20 de Abril de 2009 às 08:38, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou, nesta segunda-feira, estar otimista com a possibilidade de os Estados Unidos colocarem um fim ao embargo e aceitarem a reincorporação de Cuba à Cúpulas das Américas. Lula revelou que esses temas foram tratados na Cúpula das Américas realizada no fim de semana, e afirmou que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem a oportunidade de alterar as relações entre o país e a América Latina. Para o presidente brasileiro, em vez de buscar a ingerência, os EUA deveriam ter uma abordagem voltada ao desenvolvimento da região.

– Eu sei que tem problemas culturais, tem problemas políticos. Não é fácil você vencer os setores conservadores em cada país, mas eu acho que o Obama tende a avançar e tende a compreender que não existe mais necessidade desse embargo a Cuba. Eu disse ao presidente Obama que não era possível mais pensar fazer a Cúpula das Américas faltando um país. É importante que Cuba esteja presente. Cuba faz parte do nosso continente, acho que Cuba contribui para o processo de discussão na América Latina – destacou Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.

Lula elogiou a tentativa de Obama de se aproximar dos demais países durante o encontro e também a atitude dos líderes da região.

– Todo mundo esperava que houvesse uma briga, uma disputa entre Obama e Chávez (Venezuela), entre Obama e Evo Morales (Bolívia), entre Obama e Rafael Correa (Equador), entre Obama e Daniel Ortega (Nicarágua). E o que aconteceu? O que aconteceu é que as pessoas ficaram civilizadas e que as pessoas aprenderam a discordar, democraticamente, e a conviver com as diferenças. O que nós queremos é que os Estados Unidos participem para ajudar os países da América Latina a se desenvolver – comentou Lula.

Fim da Guerra Fria

Segundo Lula, a cúpula foi um importante momento para que os Estados Unidos vissem as mudanças na região e se aproximassem dos países. Com isso, segundo ele, Obama pode “conversar com as pessoas e perceber que a Guerra Fria acabou”.

O presidente também ressaltou que os países latino-americanos estão levando a democracia “às últimas conseqüências” e por isso, este é melhor momento para a participação norte-americana no desenvolvimento da região.

– E por que participar? Porque é a maior economia do mundo, porque tem muitos países do Caribe e da América Central que têm a sua economia praticamente voltada para os Estados Unidos, porque há mais de 40 milhões de hispânicos morando nos Estados Unidos, a maioria deles saída da América Latina, e, portanto, são pessoas que contribuem muito com o desenvolvimento desses países pequenos – afirmou Lula.

Ele disse ainda que um sistema de parceria vai ser “bom para todo mundo”, mas é preciso saber esperar o processo de amadurecimento dessa nova relação.

– Eu acho que nós demarcamos uma nova história de relação na América Latina, sobretudo entre América Latina, Caribe e Estados Unidos. Se os Estados Unidos quiserem, eles têm a chance de fazer um novo capítulo na história, não de ingerência, mas de parceria, de construção de coisas positivas com os países da América Latina e do Caribe – reafirmou o presidente.

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