Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Lula aceita negociar MP que aumenta IR, diz Severino

Quinta, 17 de Fevereiro de 2005 às 18:22, por: CdB

Em seu primeiro encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o novo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), afirmou que Lula aceita discutir a medida provisória que eleva o imposto para empresas prestadoras de serviços.

O deputado havia prometido mais cedo nesta quinta-feira a empresários que seria o porta-voz junto ao presidente Lula da insatisfação contra a MP 232, que classificou como "imposição de tecnocratas".

"Eu fiz essas ponderações ao presidente e ele, com sempre, mostrou que é um homem que não tem idéia fixa. Eu costumo dizer que quem tem idéia fixa é doido. Se ele fosse doido não chegaria à Presidência", afirmou Severino a jornalistas após o encontro realizado no Palácio do Planalto.

Severino afirmou ainda que Lula concordou com sua sugestão de realizar uma reunião entre o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e empresários para tratar do assunto. O evento seria na quarta-feira com mediação do deputado.

Pesar de seu empenho em alterar uma medida do governo, editada em dezembro de 2004, o deputado reiterou que não criará problemas a Lula. "Nós vamos trabalhar juntos porque somos bem identificados. As origens nossas são as mesmas."

A MP 232 corrige a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, mas ao mesmo tempo eleva a base de cálculo do IR e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas prestadoras de serviços.

Pela manhã, o deputado recebeu um grupo de empresários contrários à MP, quando prometeu: "Estarei na linha de frente e tenho certeza que a Câmara vai me dar respaldo", acrescentou.

No mesmo evento, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, defendeu que permaneça na MP apenas a correção do IR das pessoas físicas, deixando os aumentos para um projeto de lei.

"Se o governo quer diálogo, que faça por projeto de lei, que venha conversar de frente com a sociedade e não por punhaladas", disse Afif.

O grupo de empresários na Câmara se reuniu também com representantes do PFL, cuja executiva decidiu nesta manhã, por unanimidade, fechar questão contra a MP. Quem votar a favor poderá ser expulso do partido.

O PSDB, outro partido de oposição, havia fechado questão na quarta-feira pela rejeição da medida, segundo o novo líder da bancada na Câmara, Alberto Goldman (SP).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), também recebeu os empresários, entre eles Afif e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e afirmou que vai se empenhar em uma solução negociada para a medida.

Na terça-feira, cerca de mil entidades do setor privado e de trabalhadores realizaram um protesto em São Paulo para pressionar as autoridades a derrubar a MP.

Ainda nesta tarde, empresários aproveitaram a primeira reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, realizada no Palácio do Planalto, para reclamar diretamente com os ministros que fazem parte do fórum, entre eles Antonio Palocci.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Antonio Monteiro (PTB-PE), disse que sentiu disposição do governo para dialogar sobre a MP, mas afirmou que não recebeu promessa concreta.

"O Palocci não fez nenhuma menção a qualquer medida no sentido da direção da flexibilização, ele apenas ouviu."

Mas Monteiro acredita que o governo será sensível aos apelos de setores empresariais contrários ao aumento do IR e da CSLL.

"A lógica econômica e a clara reação da sociedade, que está no limite da tolerância nesta questão de aumento da carga tributária, aconselham o governo a rever a MP", previu.

Na noite de quarta-feira, Severino se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, pela primeira vez depois de sua eleição, e voltou a prometer colaboração com o governo.

"Não estou aqui para prejudicar o andamento das boas medidas que o presidente está fazendo", disse o deputado nesta quinta-feira.

Tags:
Edições digital e impressa