Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Lula a Obama: Protecionismo é mau negócio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou neste sábado, ao lado do presidente dos EUA, Barack Obama, que é preciso restabelecer o crédito, voltou a criticar o protecionismo e disse que a crise pode ser resolvida com decisões políticas. Lula afirmou ainda que ambos países vão trabalhar juntos para construir uma proposta no G20. O presidente ressaltou a importância de os dirigentes que vão participar do encontro, em abril, estarem convencidos de que "a decisão tem que ser mais rápida". Confiança no sistema financeiro é fundamental para derrotar a crise, diz Lula

Sábado, 14 de Março de 2009 às 15:51, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou neste sábado, ao lado do presidente dos EUA, Barack Obama, que é preciso restabelecer o crédito, voltou a criticar o protecionismo e disse que a crise pode ser resolvida com decisões políticas.

– Essa crise econômica pode ser resolvida com decisões políticas no encontro do G20. Nós precisamos restabelecer a credibilidade e a confiança da sociedade no sistema financeiro. Precisamos restabelecer a credibilidade e a confiança da sociedade nos governos e para isso nós precisamos fazer com que o crédito volte a fluir normalmente dentro de cada país – afirmou o presidente Lula em entrevista à imprensa após um encontro com Obama na Casa Branca.

Lula afirmou ainda que ambos países vão trabalhar juntos para construir uma proposta no G20. O presidente ressaltou a importância de os dirigentes que vão participar do encontro, em abril, estarem convencidos de que "a decisão tem que ser mais rápida".

O presidente Lula disse ainda ter argumentado com Obama sobre a necessidade de retomar as conversações sobre a Rodada de Doha, lançada no final de 2001 para liberar o comércio mundial e estimular países em desenvolvimento, apesar de reconhecer as dificuldades para isso em meio à crise.

– Eu disse ao presidente Obama que era extremamente importante, mesmo sabendo que não vai ser fácil, reabrir a discussão sobre a Rodada de Doha – afirmou.

Lula, falando mais uma vez contra o protecionismo, ressaltou a importância de "dinamizar as economias internamente e garantir o crédito para o comércio".

Barack Obama, por sua vez, reconheceu que aumentar o protecionismo em um momento de crise pode ter o resultado inverso.

– É tendência natural na crise jogar o sacrifício para os outros. Mas é importante garantir a troca de bens, serviços e produtos. Vamos trabalhar junto com o Brasil nesse tema. O objetivo é, no mínimo, não andar para trás – disse Obama.

O presidente Lula aproveitou o encontro para defender o etanol brasileiro, mas Obama afirmou que a "tensão" com o Brasil sobre biocombustíveis não vai mudar do dia para a noite, mas pode ser resolvida com o tempo.

Obama, no entanto, elogiou a liderança do país nessa área.

– A minha política é dobrar os esforços no mesmo sentido – afirmou Obama.

Em um clima descontraído, Lula falou, desta fez na sua frente, que reza pelo presidente norte-americano.

– Desde a sua posse, há 40 dias, eu digo que eu rezo mais pelo Obama do que por mim. E digo que eu não queria estar no seu lugar – afirmou Lula.

Ao que Obama respondeu na hora:

– Parece que você andou falando com a minha mulher.

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