Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Lugo contou com apoio brasileiro para conquistar vitória no Paraguai

Uma comitiva internacional, com cerca de 140 observadores de diversos países, foi convocada para acompanhar as eleições presidenciais, no Paraguai. (Leia Mais)

Quarta, 23 de Abril de 2008 às 06:03, por: CdB

Uma comitiva internacional, com cerca de 140 observadores de diversos países, foi convocada para acompanhar as eleições presidenciais, no Paraguai. O jornalista José Arbex Jr., o escritor e militante da teologia da libertação Frei Betto, o ex-deputado federal João Alfredo (Psol-CE) e o reconhecido jurista fluminense João Luiz Duboc Pinaud, entre outros brasileiros auxiliaram e acompanharam de perto a vitória do ex-bispo católico Fernando Lugo.

Representantes de praticamente toda a América Latina, além de França, Espanha e Inglaterra, também marcaram presença. Todo o histórico de corrupção e fraude, que manteve o Partido Colorado, de centro-direita, por 61 anos no poder, estimulou a mobilização da comunidade internacional.

A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) atuou no país para assegurar uma eleição sem fraudes no domingo, dia 20 de abril. Ela convocou observadores, na maioria personalidades atuantes na defesa dos direitos humanos, para garantir a lisura do processo.

- A campanha do Colorado era muito forte, com muito dinheiro. Foi uma grande surpresa a reação do povo que levou Lugo à vitória. Era ímpeto grande de votar - comenta Pinaud, presidente da seção Rio da Associação Americana de Jurista (AAJ) e que foi juiz eleitoral durante 11 anos.

O jurista informa que as eleições foram tranqüilas:

- No geral, foi tudo calmo. Não tivemos maiores problemas. O povo estava consciente. As pessoas humildes, descalças indo votar no Lugo. E olha que ele reclamou até o último momento por mais tempo de campanha, para poder explicar melhor seu programa.

Defensor da teologia da libertação e atuante nas ligas camponesas, Fernando Lugo lutou contra a ditadura, sempre trabalhando em comunidades rurais com seus chamados sermões subversivos. O pai foi preso 20 vezes. Os irmãos torturados. Entrou no seminário aos 19 anos.  Foi expulso do Paraguai em 1983 pelo regime militar. Voltou à sua terra em 1987. Ordenou-se bispo de San Pedro, em 1994, assumindo a diocese mais pobre do país. Deixou a batina em 2006, atendendo aos anseios populares, para poder candidatar-se à Presidência. Apresentou um programa progressista e de esquerda que fala da revisão do contrato de Itaipu, expansão dos direitos sociais, como educação pública de qualidade e com acesso universalizado, reforma agrária e atenção às populações indígenas.

Desconfiança

João Luiz Duboc Pinaud dizia que era impressionante ver como um homem conseguiu materializar em si o desejo de mudança de todo um povo e conseguir pôr fim ao domínio de décadas do Colorado. A Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), uma ampla coalizão com partidos de várias tendências, levou Lugo à vitória mas gera desconfianças na esquerda brasileira.

"Meu espírito crítico aguçado me fazia desconfiar de uma aliança de partidos e movimentos de esquerda com um partido autodenominado liberal (que indicou o vice da chapa), ainda que a candidatura de Lugo, um bispo comprometido com a causa dos pobres, militante da Teologia da Libertação, me inspirasse uma simpatia de quem já havia acompanhado com fervor, há quase trinta anos, a Revolução Sandinista da pequenina Nicarágua", afirma João Alfredo, em artigo que acaba de escrever em seu retorno de Assunção, após acompanhar as eleições paraguaias.

O cearense, ex-deputado federal do Psol, revela que a breve convivência com o povo paraguaio o encheu de esperanças. Também se assustou com a presença ostensiva da estrutura do Partido Colorado: Carros, camionetas, ônibus, a carregar os eleitores, sem nenhum pudor de conduzi-los, inclusive, às portas das seções eleitorais. Cartazes, adesivos, bandeiras,  demonstrando a prepotência de mais de 60 anos de dominação e corrupção.

Em contraposição a essa lógica, surge o "Tekojoja", que é o nome do movimento da candidatura de Lugo. João Alfredo conta que ouviu dos paraguaios três diferentes traduções: "todos ju

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