O Santander, maior banco espanhol e dono do Banespa no Brasil, teve alta de 20% no lucro líquido de 2004. O resultado ficou abaixo das estimativas de analistas, que esperavam melhora de 25%.
Separadamente, o banco britânico Abbey, comprado recentemente pelo Santander, divulgou nesta sexta-feira queda de 20% no lucro anual antes de impostos em sua unidade principal de varejo. O Abbey será consolidado no balanço do Santander a partir do primeiro trimestre.
- Os números confirmam nosso ceticismo sobre a habilidade do Santander de conseguir ganhos rapidamente com o Abbey - disse a analista Sheila Garrard, do Man Securities, em Londres.
Enquanto rivais vêm apresentando forte crescimento dos lucros, o segundo maior concessor de empréstimos para compra de imóveis da Inglaterra, que custou cerca de 9,1 bilhões de libras (US$ 17,4 bilhões) ao Santander, luta para reviver seus negócios de varejo em meio a altas de juros e forte competição.
- Ninguém esperava que os resultados do Abbey pudessem ser bons. O que precisamos ver é como o Santander vai conseguir estabilizar as receitas do banco comprado. Terão que ser muito agressivos. Mas, além disso, os resultados parecem fracos no Brasil ainda que eles tenham feito um bom trabalho no Chile. Na Espanha, não houve surpresa - disse o analista Ignacio Mendez, da Venture Finanzas, em Madri.
O Santander teve lucro líquido após as participações de minoritários de 3,14 bilhões de euros, abaixo das expectativas de pesquisa da Reuters, que apontava para ganho de 3,27 bilhões de euros.
Do resultado total do grupo, os negócios de varejo na Europa representaram mais da metade do lucro, enquanto a América Latina respondeu por 27%.
O lucro do Banespa foi de R$ 1,75 bilhão em 2004, praticamente estável em relação ao exercício anterior.
O ganho com as operações de banco de varejo na América Latina caíram 2,4%, após a venda de parte dos negócios do Santander no México e também pela depreciação do dólar, que corroeu o lucro em euros.