Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Lucro da Souza Cruz despenca após campanha contra o fumo

Os brasileiros fumaram menos cigarros da Souza Cruz em 2003. As vendas do produto tiveram uma queda de 6% no volume, na comparação com 2002. Isso representa 5,1 bilhão de cigarros a menos. Em 2003, foram comercializados 76,8 bilhões de unidades, ante 81,9 bilhões no ano anterior. (Leia Mais)

Sexta, 06 de Fevereiro de 2004 às 07:46, por: CdB

Os brasileiros fumaram menos cigarros da Souza Cruz em 2003. As vendas do produto tiveram uma queda de 6% no volume, na comparação com 2002. Isso representa 5,1 bilhão de cigarros a menos. Em 2003, foram comercializados 76,8 bilhões de unidades, ante 81,9 bilhões no ano anterior.

Com 76,8% do mercado nacional, a Souza Cruz é dona das marcas próprias Derby, Free, Hollywood e Carlton, além das licenciadas Lucky Strike, Kent e Camel. A Philip Morris, dona da marca Marlboro, é a principal concorrente da companhia.

Estima-se que, no Brasil, existam mais de 30 milhões de fumantes. No ano passado, o Ministério da Saúde determinou a impressão de fotos ainda mais chocantes de vítimas do fumo nos maços de cigarros. Desde 2002, o governo brasileiro desenvolve essa ofensiva antitabagista.

Em 2003, o lucro da Souza Cruz encolheu 20%, somando R$ 769 milhões, ante R$ 961 milhões no ano anterior. Analistas e a própria empresa atribuem ao reajuste dos preços a queda nas vendas de cigarro no país.

Em relatório sobre o resultado financeiro, o presidente da Souza Cruz, Nicandro Durante, informou que a queda das vendas afetou as marcas de preços mais baixos e mais suscetíveis à concorrência desleal.

"Em 2003, observou-se uma pequena redução na participação de mercado da concorrência desleal, devido a um esforço conjunto da indústria e autoridades, que resultaram em ações de apreensão e repressão", disse Durante.

No entanto, ele destacou que a concorrência desleal permaneceu ainda em níveis "bastante elevados" (cerca de um terço do mercado total) , "o que prejudica a competitividade" dos negócios da empresa.

Relatórios dos analistas do Espírito Santo Research e da corretora Fator consideraram "negativo" o resultado da Souza Cruz em 2003. A primeira instituição destacou a "forte competição do setor" como motivo para o aumento das despesas com vendas, o que pode, na sua opinião, prejudicar as margens futuras de lucro.

Já a Fator espera que em 2004 as exportações de fumo sejam a "notícia positiva" da empresa. No entanto, a corretora manteve sua recomendação de "não atrativa" para as ações da companhia.

Em 2003, as ações da Souza Cruz acumularam ganhos de 93,79%, segundo a Economática, especializada em informação financeira. Mas neste ano, os papéis registram pequena queda acumulada de 0,2%, sendo 2% só nesta semana.

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