Nesta sexta-feira, a Petrobras divulga o resultado financeiro alcançado no primeiro trimestre do ano. A expectativa do mercado financeiro é de lucro entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões. O consultor Adriano Pires usa esse valor para fazer uma comparação com a pendenga boliviana.
"O lucro da Petrobras em três meses será, pelo menos, 20 vezes o valor pago pelas refinarias. A decisão brasileira foi correta. A Bolívia saiu ganhando no curto prazo, talvez confiando na ajuda da venezuelana PDVSA, caso não consiga operar as refinarias. Mas, no médio prazo, sairá perdendo porque não vai mais haver investimento, as refinarias tornarão a ser sucateadas e a Bolívia vai empobrecer ainda mais", disse.
A analista de um grande banco, que tem como norma não divulgar pareceres sobre negociações empresariais, comentou que, mesmo não tendo provisionado o prejuízo com as refinarias no balanço deste ano, o valor é tão pequeno que poderá ser incluído em qualquer outra provisão da estatal.
"Nem quando há ameaça de interrupção no fornecimento de gás, o que é muito mais grave, essa questão da Bolívia tem reflexo no valor das ações da Petrobras. A questão das refinarias, então, não terá o menor impacto. É mais uma questão moral que financeira", diz ela.
Em relatório do Brascan, o analista Felipe Cunha ressalta que a permanência da Petrobras na Bolívia acaba sendo prejudicial para a empresa. Cunha frisa que, entre os aspectos negativos vistos pelo mercado com relação à Petrobras, está principalmente a manutenção de investimentos arriscados em determinados países, "especialmente na Bolívia". "Esses investimentos reforçam a percepção de risco político sobre a empresa."
Adriano Pires destaca que o decreto anunciado pelo presidente Evo Morales no último domingo, com a apropriação do controle da venda de derivados e a fixação de US$ 30 para o barril de petróleo, praticamente zerou o valor de mercado das refinarias.
"Quanto mais tempo a Petrobras permanecesse com esses ativos, mais teria prejuízo. E, diante do nervosismo dos movimentos sociais na Bolívia, não se sabe também que conseqüências danosas e imediatas poderiam resultar de um pedido de arbitragem internacional pela Petrobras. O que o (presidente) Morales fez foi um desrespeito", disse o consultor.