O lucro da Petrobras no primeiro trimestre do ano caiu para R$ 5,8 bilhões, 20% inferior ao mesmo período do ano passado, afetado por preço em baixa do petróleo e demanda menor tanto no Brasil como no exterior. O resultado, no entanto, ficou acima da previsão de cinco analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters, que estimavam em média lucro de R$ 5 bilhões.
– O principal fator foi o aumento de produção de petróleo no Brasil, de 7%, acrescentamos 150 mil barris no primeiro trimestre (contra o mesmo período do ano anterior), e tivemos queda de custos em relação ao quarto trimestre – explicou a jornalistas o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa.
Ele informou que apesar do petróleo estar em queda em relação há um ano, o preço médio do trimestre foi de US$ 44 o barril, acima dos US$ 37 utilizados como preço de referência para os projetos da companhia este ano. Somente com esse efeito o ganho da companhia foi de US$ 900 milhões.
– Cada dólar acima do que estipulamos gera US$ 500 milhões, e se a média desse ano for US$ 47 (o barril) vão ser US$ 5 bilhões a mais, que ficam para o ano que vem – afirmou o executivo.
Ele explicou também que a companhia trabalha com a expectativa de redução de custos a partir do segundo trimestre.
– Se houver queda nos custos dos equipamentos de 15% teremos uma contribuição de US$ 4 bilhões adicionais – calculou.
Ele destacou que o lucro do primeiro trimestre também teve ajuda da manutenção dos preços da gasolina e do diesel, elevados há um ano, e que representam entre 50% e 60% da receita da companhia. Além disso, a queda de 8% no consumo interno foi compensada por mais exportações, que tornaram a Petrobras novamente exportadora líquida no primeiro trimestre deste ano.
– Com a produção maior e a queda no mercado interno de derivados sobrou mais para ser exportado – informou.
De janeiro a março a empresa exportou 666 mil barris diários e importou 566 mil barris diários, resultado em uma exportação líquida de 100 mil barris diários. Em valor, no entanto, o déficit ficou em US$ 150 milhões, redução de US$ 125 milhões em relação as perdas de US$ 775 milhões da balança comercial da companhia no primeiro trimestre de 2008.
O ganho antes de impostos, juros, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 13,4 bilhões, queda de 5% comparado ao primeiro trimestre de 2008.
Analistas estimavam, em média, que o Ebitda ficaria em apenas R$ 11,9 bilhões. Segundo relatório divulgado pela companhia, o resultado reflete, em parte, "a redução no preço das commodities e a retração da demanda por derivados no mercado interno".