Um esquema do deputado federal Bispo Rodrigues (PL) e de seu braço-direito, a então primeira-secretária do Partido Liberal no Rio, Márcia Alzira de Paula, desviava dinheiro público da Loterj para pagar os salários de assessores parlamentares do PL durante a gestão de Waldomiro Diniz . A acusação foi feita ontem ao Ministério Público pelo ex-funcionário da Loterj e do PL Wagner Corrêa. O jornal O DIA revelou que ele e outros dois empregados fantasmas também davam o salário aos líderes do PL e ao Pastor João Domingos.
Ex-fiel da Igreja Universal, Wagner contou que era obrigado a repassar o salário líquido de R$ 1,7 mil na Loterj a Márcia Alzira. Desse montante, ela retirava o valor que o empregado recebia pelo trabalho no PL: R$ 400. Mais uma vez, ele era enganado - o combinado eram R$ 600.
Até ser afastado da Universal, Rodrigues era o responsável informal pelas nomeações na Loterj - inclusive a de Waldomiro, cuja mulher era chefe de gabinete do deputado. "Essa é a ponta de um iceberg", declarou a promotora Dora Beatriz da Costa.
O ex-funcionário atuou na assessoria do partido de 1999 a 2002, sem carteira de trabalho, das 9h às 24h. Segundo ele, nesses três anos, nunca usufruiu de folga, férias, 13º salário ou vale-refeição. "Trabalhava sem parar e tinha de levar comida de casa", contou.
Empregado levou dinheiro de igrejas da Universal para PL
Em 2001, Márcia Alzira lhe avisou que havia sido "deslocado" para a Loterj, mas nem precisava ir lá, continuaria a servir a assessoria. Foi, mas só uma vez, para pegar a carteira, em 21 de junho. O cartão de ponto era levado para ele no PL, em Benfica. De acordo com a Loterj, Wagner foi nomeado em 1º de abril e exonerado em 1º de setembro. "Eu nem sabia a data certa", disse. No período, não recebeu da autarquia os tíquetes de alimentação. Ficaram com o PL.
No depoimento, ele declarou que na assessoria "tudo passava pelo Bispo Rodrigues". Um ex-auxiliar do bispo ouvido pelo DIA rebateu e atribuiu a responsabilidade a Márcia Alzira, que atuaria sem Rodrigues saber, em parceria com a então diretora-administrativa e ex-vice-presidente da autarquia, Rivângela Barros.
Na assessoria, Wagner tinha o apelido de "Bombril", porque fazia de tudo - digitava, operava computadores, tirava xerox, manobrava carros. Fez até o que estranhava. "Pelo menos três vezes, fui buscar dinheiro em igrejas da Universal e levar ao PL, escoltado por um carro com seguranças". Isso comprovaria a ligação da Universal com o PL-RJ.
Bispo Rodrigues vai depor no dia 17. Dora convocará Márcia Alzira, Rivângela e João Domingos para prestar esclarecimentos. Os outros ex-assessores vão ao MP nos próximos dias.
Loterj pagava salário de assessores parlamentares
Um esquema do deputado federal Bispo Rodrigues (PL) e de seu braço-direito, a então primeira-secretária do Partido Liberal no Rio, Márcia Alzira de Paula, desviava dinheiro público da Loterj para pagar os salários de assessores parlamentares do PL durante a gestão de Waldomiro Diniz . (Leia Mais)
Sábado, 06 de Março de 2004 às 06:12, por: CdB