Surpreso, foi como se manifestou o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), ao anúncio da nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de que o governo vai defender o sigilo eterno de documentos secretos para atender ao desejo dos ex-presidentes José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL), hoje senadores e integrantes da base aliada. Ele disse que vai tentar reverter essa situação.
Para isso, diz que deve contar com a ajuda inclusive de petistas, destacando que a decisão do governo compromete as palavras da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que defende com firmeza o fim do sigilo eterno.
“Vamos tentar reverter essa posição, vamos fazer discursos no Plenário, apelando à Presidente da República em nome da democracia”, anunciou. E indagou: “Será que Sarney e Collor são mais importantes que a luta de todos os revolucionários brasileiros para chegar até aqui?”
E contou que “muitos brasileiros lutaram pela democracia no país e pessoas de todos os matizes, citando nominalmente dona Zilda Arns, lutaram para que a gente viesse para a democracia”. E lembrou ainda que o PCdoB, que esteve sempre presente apoiando o governo, mesmo nos momentos de crise, vai usar o seu capital político para convencer a Presidente Dilma que a medida mais acertada no caso é reduzir os prazos para abertura dos documentos considerados ultrassecretos.
O deputado comunista disse que o conhecimento da história é importante para o fortalecimento da democracia, a construção da história e a formação dos jovens, destacando que não é questão de revanchismo ou vingança. Ele destacou ainda que a medida não é uma Política de Governo, mas uma Política de Estado, acrescentando que “o mundo está fazendo isso e está sendo positivo”.
O presidente do Senado, José Sarney, defendeu nesta segunda-feira (13) a manutenção do sigilo eterno sobre documentos considerados ultrassecretos. Em entrevista à Agência Estado, Sarney disse que a abertura de documentos históricos pode "abrir feridas" do passado.
Ele afirmou que é preciso manter o segredo para "preservar" o Brasil. "Eu tenho muita preocupação que hoje nós tenhamos a oportunidade de abrir questões históricas que devem ser encerradas pelo interesse nacional".
Sarney nega que sua defesa do sigilo eterno tenha como objetivo ocultar ações suas quando presidiu o País. Ele afirmou que é preciso divulgar tudo que for relativo ao "passado recente". "Sou um homem que nada tenho a esconder".
Segundo a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, o governo vai apoiar alterações no texto que tramita no Senado sobre a lei de acesso a informações. A proposta aprovada na Câmara prevê um limite de 50 anos para a manutenção do sigilo de documentos ultrassecretos. Ideli afirma que a intenção do governo é retornar ao projeto original enviado ainda pelo presidente Lula, no qual não havia limite para a renovação do prazo de sigilo dos documentos.
De Brasília
Márcia Xavier
Com agências
Lopes quer evitar que governo apoie sigilo eterno de documentos
Segunda, 13 de Junho de 2011 às 13:10, por: CdB