O governo britânico pediu que a Administração iraquiana ocupe-se da última fase da investigação sobre as mortes de oito soldados britânicos durante a guerra, que até agora estava sendo conduzida pela Brigada de Investigações Especiais (SIB, em inglês) do Reino Unido.
O ministro da Defesa, Geoff Hoon, disse nesta quinta-feira que transferiu ao Iraque a investigação dos casos para se adequar às leis do país, que não permitem a extradição de cidadão iraquianos para serem julgados no exterior.
Dois dos homens podem ter sido assassinados em uma emboscada, enquanto os outros seis, que pertenciam à Polícia Militar do Reino Unido, morreram durante um ataque de iraquianos contra a delegacia em que trabalhavam.
Já que os casos acabariam sendo julgados de qualquer maneira no Iraque, devido à norma do Tribunal Criminal Central do Iraque (CCCI), estabelecido pela extinta Autoridade Provisória Iraquiana, Londres considera melhor que a investigação também seja efetuada no país árabe.
"O CCCI é a melhor maneira de resolver esses casos de forma prática e justa, pois a lei iraquiana não permite a extradição de seus cidadãos a um país estrangeiro, inclusive o Reino Unido", disse o ministro, que afirmou ainda que haveria problemas em relação às provas.
"Dado que os casos deverão ser processados através do CCCI, é importante que a última fase da investigação seja efetuada sob sua direção, para garantir que seus procedimentos e normas sejam cumpridos", indicou.
Hoon disse que já foram entregues aos iraquianos traduções das notas dos investigadores britânicos, que ajudarão seus colegas o máximo possível.
A rede árabe "Al Jazira" mostrou em 23 de março do ano passado os corpos dos soldados Simon Cullingworth e Luke Allsop junto a seu veículo depois de terem sido supostamente assassinados em uma emboscada perto de Basra, no sul do Iraque.
Os outros seis militares - Simon Hamilton-Jewell, Rusell Aston, Paul Long, Simon Miller, Benjamin McGowan e Thomas Keys - morreram em um ataque contra a delegacia de Al Majar Al Kabir, também perto de Basra.