Polícia aumentou seu contingente para tentar conter novas manifestações nesta terça
O policiamento das ruas de Londres na noite desta terça-feira será feito por 16 mil policiais, cerca de 10 mil a mais do que no dia anterior, na tentativa de conter os distúrbios na cidade.
Lojas e negócios fecharam as portas mais cedo para evitar violência e saques pela quarta noite consecutiva. No sudoeste da Inglaterra, houve registros de lojas depredadas e carros incendiados em West Bromwich. Em Wolverhampton, na mesma região, 20 pessoas foram presas.
Violência também em Birmingham, onde 138 foram detidos, e em Liverpool. Na cidade de Salford, carros foram incendiados, inclusive um veículo da reportagem da BBC. O cinegrafista também foi atacado. Em Manchester, a polícia enfrentou centenas de jovens no centro da cidade.
Nesta terça-feira, a polícia de Londres liberou as primeiras imagens feitas por câmeras de segurança de suspeitos de atos de violência na cidade nos últimos dias, gravadas em locais que sofreram saques, nas regiões de Croydon e Norwood, ambas ao sul de Londres, na última madrugada.
A polícia disse que este é o primeiro lote de muitas imagens que devem ser liberadas em relação com as investigações para determinar os culpados.
Nesta terça-feira, 32 suspeitos compareceram a tribunais, acusados de participação nos distúrbios ocorridos nos últimos dias.
A violência se espalhou por diversas partes da cidade
Entre os suspeitos estão um designer gráfico, estudantes e um alistado no Exército britânico. Alguns deles afirmaram morar fora de Londres. Pelo menos 18 deles devem permanecer presos.
Todos os suspeitos eram homens, a grande maioria com cerca de 20 anos, embora alguns fossem menores de idade. A maioria das acusações foi de furto e desordem. Muitos se declararam culpados.
Até a tarde de terça-feira, 563 pessoas haviam sido presas e 105, indiciadas por atos de violência na cidade.
O porta-voz policial Stephen Kavanagh disse que o uso de balas de borracha não está descartado. Nas últimas três noites, 11 policiais e cinco cães da polícia foram feridos nos tumultos.
Cameron
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou os distúrbios, dizendo que os responsáveis pelos ataques "vão sentir a força da lei".
"Se vocês têm idade suficiente para cometer esses crimes, têm idade suficiente para enfrentar as punições", disse o premiê, que encurtou suas férias na Itália para voltar a Londres e participar, nesta terça, de uma reunião do comitê de planejamento de emergência do governo.
Gangue rouba jovem ferido em Londres
Garoto parece estar sendo ajudado, mas acaba roubado por outros.
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Formatos alternativos
Cameron anunciou a reconvocação do Parlamento, que está em recesso, e prometeu fazer o que for necessário para restabelecer a ordem nas ruas do país.
Depois de sofrer críticas por sua ausência, o prefeito de Londres, Boris Johnson, também resolveu suspender suas férias e voltar ao país devido aos confrontos.
Na manhã desta terça-feira, a federação inglesa de futebol, Football Association (FA), decidiu cancelar um amistoso entre Inglaterra e Holanda, que seria realizado na quarta-feira no estádio de Wembley, no noroeste de Londres, com expectativa de atrair 70 mil torcedores.
As forças de segurança da capital britânica e de outras partes do país estão em massa nas ruas para tentar conter novos episódios de quebra-quebra, que já atingiram partes do norte, sul, leste e oeste de Londres, além de outras cidades britânicas como Birmingham e Liverpool.
Grupos de jovens mascarados destruíram lojas e restaurantes e atearam fogo a carros, prédios, pontos de ônibus e até delegacias.
Terceira noite
Os tumultos de segunda-feira começaram no fim da tarde no bairro de Hackney, no norte de Londres, depois que um homem foi parado e revistado pela polícia, que não encontrou nada.
Grupos de pessoas começaram então a lançar pedras e latas contra os policiais e a atacar carros da polícia com pedaços de madeira e barras de ferro. Lojas foram saqueadas e destruídas.
Bombeiros ainda combatem chamas em várias partes de Londres
"O sentimento comum em Hackney Central é que nossa comunidade foi ferida e prejudicada por uma violência inexplicável. Nós falamos com saqueadores e a única explicação que eles deram para seu comportamento é que eles não tinham nenhum dinheiro", disse à BBC a moradora do bairro Catherine Holmes.
"É triste pensar que essas pessoas só pensam no momento seguinte, e o momento que eles criaram é um pesadelo. Enquanto vemos eles se movimentarem em pequenos grupos, esperamos que nossa comunidade se una nesta manhã para reagir contra esses tumultos."
No início da noite de segunda, os distúrbios se concentravam em Hackney, no norte da cidade, e em Peckham, Lewisham e Croydon, no sul. Durante a madrugada, no entanto, a violência chegou a outras áreas, como Notting Hill, Clapham, Ealing, Bethnal Green, Newham, Camden e Hampstead.
Em Croydon, um homem de 26 anos de idade encontrado pela polícia à noite, dentro de um carro, com ferimentos causados por arma de fogo, morreu após ser hospitalizado. Ele pode ter sido a primeira vítima fatal da violência dos últimos dias.
Clique Leia mais na BBC Brasil: Distúrbios fazem premiê britânico cancelar férias
Brasileira relata tensão após violência em Londres
Moradora de Tottenham, bairro vandalizado, diz que 'todo mundo está preocupado porque não sabe o que pode vir'.
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McDonald’s e Armani
Na cidade de Waltham Abbey, a leste de Londres, um centro de distribuição da Sony foi tomado pelas chamas, que atingiram vários metros de altura.
Distúrbios também foram registrados em Bristol, no sudoeste da Inglaterra, e em Leeds, no norte.
Os protestos também chegaram a Birmingham, a segunda cidade maispopulosa do país, onde pelo menos cem pessoas foram presas e dezenasacabaram hospitalizadas.
Grupos de jovens mascarados destruíram lojas e restaurantes nacidade, incluindo um restaurante da rede de fast food McDonald’s e umaboutique da grife Armani, além de atear fogo a carros e caixas decorreio.
A polícia local disse ainda que uma delegacia no centro da cidade foi incendiada.
Além de Birmingham, no norte do país, foram registrados distúrbiosnas cidades de Manchester e Liverpool, onde carros foram incendiados emanifestantes entraram em choque com a polícia.
Além de bairros londrinos, saques e destruição de lojas foram registrados em Birmingham
Origem dos tumultos
As revoltas que explodiram no sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões da capital britânica na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em vários pontos de Londres.
Os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29 anos.
Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro.
A ouvidoria da polícia disse que até agora não há evidências de que Duggan tenha atirado contra os policiais antes de ser alvejado e morto.