Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Londres muda ordem de atirar para matar

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse neste sábado que mudou a sua estratégia de "atirar para matar". As mudanças ocorreram depois da divulgação de informações que indicam que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto por policiais apesar de não estar apresentando comportamento suspeito. (Leia Mais)

Sábado, 20 de Agosto de 2005 às 09:51, por: CdB

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse neste sábado que mudou a sua estratégia de "atirar para matar". As mudanças ocorreram depois da divulgação de informações que indicam que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto por policiais apesar de não estar apresentando comportamento suspeito. Lisa Caroll, porta-voz da Scotland Yard, confirmou à BBC Brasil que "a estratégia de atirar para matar para proteger no caso de suspeitos de terrorismo sofreu algumas pequenas mudanças". A porta-voz adicionou que não pode detalhar as mudanças para não alertar quem possa estar envolvido com o que chamou de terrorismo.

Pouco antes, o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, havia pedido que o público não deixasse que a morte de Jean Charles de Menezes ofusque a lembrança da morte de mais de 50 pessoas nos ataques de 7 de julho a Londres. Blair afirmou em entrevista à BBC, neste sábado, que pediu perdão e assumiu a responsabilidade pela morte de Jean Charles de Menezes, morto por engano a tiros pela polícia no dia 22 de julho, na estação de metrô de Stockwell, em Londres.

- Mas não podemos deixar que uma morte trágica pese mais do que todas as outras - disse.

Na manhã deste sábado, a Polícia Metropolitana de Londres negou com veemência que tenha oferecido uma indenização de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,45 milhões) para a família de Jean Charles de Menezes. Um jornal britânico alegou que a polícia de Londres havia oferecido US$ 1 milhão à família de Jean Charles e acrescentou que a família do eletricista teria recusado a oferta.

Mas a assessoria de imprensa da polícia divulgou uma nota e confirmou à BBC Brasil informações nas quais afirma que "as únicas discussões até o momento com a família de Jean Charles de Menezes foram a respeito de despesas iniciais e rejeitamos qualquer sugestão de que uma soma da ordem de US$ 1 milhão foi oferecida como compensação".

Renúncia

Na sexta-feira, Alessandro Pereira, primo de Jean Charles de Menezes, pediu a renúncia do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, a quem acusou de mentir e tentar esconder informações sobre a morte do brasileiro.

- Nós, da família, temos muitas perguntas a fazer. (...) Por que Ian Blair parou a investigação? (...) O que ele tentou esconder? Se não havia nada a esconder, por que a polícia disse à minha família que não haveria uma segunda autópsia? Minha família quer a verdade. Em nome de minha família, em nome da população de Londres. Em nome de Jean eu digo que aqueles responsáveis devem renunciar. Ian Blair deve renunciar - disse Pereira em uma declaração lida à imprensa.

Alessandro leu sua mensagem acompanhado por ativistas de direitos humanos que acompanham o caso. Um deles, Asad Rehman - que se identifica como representante do grupo Justice4Jean (ou "Justiça para Jean") -, também sugeriu que Ian Blair deve renunciar ao cargo. Contatada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da polícia de Londres disse na sexta-feira, que Blair não pensa em renunciar e vem recebendo apoio para permanecer no cargo nas últimas semanas.

Documentos

Nesta semana, o vazamento de documentos sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles mostraram que várias versões iniciais sobre o caso estavam erradas. De acordo com documentos apresentados pelo canal de televisão ITV, o brasileiro não teria corrido da polícia, não estaria usando com um casaco pesado nem teria feito nada de suspeito antes de ser morto. E a Comissão Independente sobre Queixas contra a Polícia (IPCC na sigla em inglês) afirmou que a Scotland Yard "inicialmente resistiu" às tentativas do órgão de lançar a investigação sobre a morte de Jean Charles de Menezes.

Em sua entrevista à Rádio 4 da BBC, Ian Blair rejeitou as alegações:

- O que gostaria de dizer é que, de todas as alegações feitas nos últimos dias, a que eu gostaria de rejeitar em p

Tags:
Edições digital e impressa