Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Londres: mentor de ataques é procurado

A polícia está verificando, nesta quarta-feira, se os jovens muçulmanos britânicos suspeitos de realizar ataques suicidas em Londres, na semana passada, agiram sob a inspiração de um mentor que ainda estaria foragido. (Leia Mais)

Quarta, 13 de Julho de 2005 às 06:44, por: CdB

A polícia está verificando, nesta quarta-feira, se os jovens muçulmanos britânicos suspeitos de realizar ataques suicidas em Londres, na semana passada, agiram sob a inspiração de um mentor que ainda estaria foragido.

A polícia antiterrorista disse que seria "muito precipitado" descartar novos ataques à Grã-Bretanha - apesar do avanço desta terça-feira na busca pelos responsáveis.

- Temos que presumir que há outros prontos a fazer o tipo de coisa que essas pessoas fizeram na última quinta-feira - disse o secretário do Interior, Charles Clarke, à rádio BBC.

A investigação da polícia deverá concentrar-se em West Yorkshire, no norte da Inglaterra, onde moravam três dos quatro autores dos ataques.

A região tem uma grande população muçulmana, e a polícia está apurando se havia uma célula ou um organizador, possivelmente da Al Qaeda, que possa ter planejado os ataques que mataram pelo menos 52 pessoas e feriram 700.

Reportagens na mídia disseram que os quatro autores tinham entre 19 e 30 anos e a ficha limpa, ou seja, sem acusações ou envolvimento com o terrorismo.  Suspeita-se que todos eram de nacionalidade britânica e de origem paquistanesa.

A polícia afirma ser "muito provável" que um dos quatro tenha morrido nas explosões na rede de transporte de Londres e que é possível que os quatro tenham se explodido deliberadamente.
Seria o primeiro caso de homens-bomba na Europa Ocidental.

Amigos e vizinhos disseram que os jovens eram normais e que se interessavam mais por esportes do que por política.

- Ele era um rapaz doce, que se dava bem com todo mundo - foi a descrição de um dos suspeitos, de 22 anos, formado em ciências esportivas, que às vezes ajudava o pai no restaurante em Leeds.

O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha afirmou estar abalado com a possibilidade de muçulmanos britânicos terem realizado os ataques.

- Recebemos as terríveis notícias da polícia com angústia, choque e horror. Nada no islamismo pode justificar as ações maldosas dos homens-bomba - disse em comunicado o secretário-geral, Iqbal Sacrani. 

Os quatro viajaram para Londres no dia das explosões e foram vistos no circuito fechado de televisão carregando mochilas na estação de trem King's Cross, pouco antes das 8h30 (hora local), disse a polícia.

Uma fonte da polícia disse que eles pareciam estar tranquilos, como se estivessem saindo de férias.

A polícia apreendeu explosivos em buscas em casas na área de Leeds e prendeu um parente de um dos suspeitos, que foi levado para Londres para ser interrogado.

Eles também deixaram um carro em Luton, ao norte de Londres, que teria ligação com as explosões.

O governo afirma que os ataques de quinta-feira tiveram a marca da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, responsabilizado pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e pelas explosões em Madri, no ano passado.

O secretário do Interior Clarke deverá presidir um encontro de ministros do Interior da Europa em Bruxelas, nesta quarta-feira, para debater medidas a fim de prevenir ataques.

Alex Standish, editor da Jane's Intelligence Digest, disse que, se a teoria do ataque suicida for confirmada, a Grã-Bretanha - acostumada nas últimas décadas a ataques do nacionalista Exército Republicano Irlandês - terá ingressado em uma nova fase.

- Há um novo nível de radicalização no Reino Unido. Atentados suicidas são considerados os mais perigosos e os mais difíceis de ser evitados - disse. 

Há cerca de 1,6 milhão de muçulmanos na Grã-Bretanha e muitos estão irritados com a política externa britânica em relação a outros muçulmanos nos territórios palestinos, na Caxemira, na Chechênia e no Iraque.

- Não há dúvida de que há muita frustração em relação a temas da política externa - disse Shahid Malik, membro do parlamento de West Yorkshire.

- Temos que olhar para a comunidade muçulmana e ver que há extremi

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