O Exército britânico começou nesta sexta-feira a demolir uma de suas torres de observação na Irlanda do Norte - símbolo da presença militar na província - após a guerrilha republicana IRA anunciar o fim da luta armada, o que pode levar à retomada do processo de paz.
A decisão é parte das promessas que a Grã-Bretanha e a República da Irlanda vinham adiando devido à resistência do IRA (Exército Republicano Irlandês) em se desarmar.
Derrubar as oito torres, instaladas no alto de morros ao longo da fronteira entre as duas Irlandas, é uma das ações há muito tempo reivindicadas pelos nacionalistas locais para normalizar a vida na província, que lentamente emerge de um conflito de 30 anos no qual 3.600 pessoas morreram.
- À luz dos fatos de ontem ( quiinta-feira) o 'chief constable' (chefe de polícia) e eu decidimos que é possível uma nova redução no perfil da segurança - disse o comandante geral Reddy Watt.
Isso coloca pressão no IRA para cumprir a sua parte no acordo: eliminar o enorme arsenal de armas e explosivos que sustentou a sua luta por uma Irlanda unida até o cessar-fogo de 1997.
O IRA não apresentou prazos, mas o jornal The Irish Times disse na sexta-feira, citando fontes oficiais, que o governo irlandês espera que o arsenal do grupo, espalhado por vários paióis, possa ser destruído até o final de agosto.
O jornal disse haver "fortes indicações" de que o primeiro ato de destruição de armas ocorrerá em poucos dias.
Mas deve levar meses para que os céticos protestantes pró-britânicos da província se convençam da seriedade desta promessa do IRA, que já descumpriu pactos anteriormente.
Recriar o governo autônomo local, suspenso há três anos devido à resistência do IRA em se desarmar é algo ainda mais distante, mesmo porque o principal partido protestante, o Democrático Unionista (DUP), se recusa a conversar com a maior ala católica, o Sinn Fein, até que o IRA se desarme completamente.
- Vamos julgar a boa-fé do IRA nos próximos meses e anos com base no seu comportamento e atividade - disse o inflamado pastor Ian Paisley, líder do DUP.
O IRA, responsável por metade das mortes no conflito, nunca informou o tamanho do seu arsenal, e muitos duvidam que o grupo convença todos os seus membros a entregarem as armas, o dinheiro e o poder que possuem.
A guerrilha autorizou monitores internacionais a observarem três seções privadas de destruição de armas, mas não permitiu que eles revelassem detalhes sobre elas.
Desta vez, o IRA quer que o processo seja acompanhado por um representante dos católicos, um dos protestantes e um órgão internacional.
Além de provar que se desarmou, o IRA precisará demonstrar que seus militantes abandonaram os furtos e agressões que prejudicaram sua reputação de guardião dos católicos.
A histórica desconfiança do IRA em relação à polícia local, majoritariamente protestante, sempre foi usada para justificar sua presença armada em redutos católicos. Até agora, os católicos do Sinn Fein se recusaram a assumir as vagas a que tinham direito na comissão de polícia da província.