Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Londres caça autores de ataques

A polícia londrina está trabalhando, nesta sexta-feira, para conseguir mais pistas sobre os autores das explosões, além de vasculhar os túneis mais profundos do metrô em busca de corpos, depois dos ataques a bomba que mataram mais de 50 pessoas nesta quinta-feira. (Leia Mais)

Sexta, 08 de Julho de 2005 às 06:54, por: CdB

A polícia londrina está trabalhando, nesta sexta-feira, para conseguir mais pistas sobre os autores das explosões, além de vasculhar os túneis mais profundos do metrô em busca de corpos, depois dos ataques a bomba que mataram mais de 50 pessoas nesta quinta-feira.

As quatro explosões no metrô e em um ônibus feriram ainda 700 pessoas, informou o comissário da polícia londrina Ian Blair.

Ele afirmou que o número de mortos pode aumentar, pois a polícia ainda não tinha conseguido chegar ao trem entre as estações de King's Cross e Russell Square, em um dos túneis mais profundos do sistema. Segundo a polícia, pode haver mais dez corpos no local.

Apesar dos ataques, nesta sexta-feira o transporte público da cidade já estava normalizado. Alguns usuários tinham medo, outros desafiavam os militantes.

- Meu avô me ligou ontem à noite e disse que eu deveria ir trabalhar hoje - afirmou Sally Higson, de 36 anos.

-Ele tem 89 anos. Viveu a guerra e disse que é importante manter a normalidade - disse ele.

Os ataques - atribuídos por ministros à Al Qaeda - foram os mais violentos em Londres fora dos períodos de guerra e coincidiram com uma cúpula do Grupo dos Oito, o G8, que reúne os países mais ricos do mundo em Gleneagles, Escócia.

A polícia disse não ter recebido alerta algum. O secretário do Interior, Charles Clarke, afirmou que as explosões "vieram completamente do nada".

Peritos judiciais estão em busca de pistas sobre a autoria dos atentados e do eventual envolvimento de militantes suicidas. O jornal New York Times disse que foram usadas bombas-relógio, descartando a participação de suicidas.

- Temos de levar em máxima consideração o risco de outro ataque, e por isso nosso esforço total hoje está voltado para identificar os autores e trazê-los à Justiça - disse Clarke à rádio BBC. Ele afirmou que os investigadores estão examinando uma declaração do até então desconhecido "Grupo Secreto da Jihad da Al Qaeda na Europa".

Em nota pela Internet, esse grupo reivindicou a autoria do ataque.

- Nossos mujahideen (combatentes da guerra santa) realizaram uma abençoada invasão em Londres, e eis agora a Grã-Bretanha queimando com medo e terror. Repetidamente alertamos a Grã-Bretanha e mantivemos nossa promessa - disse a nota.

A Grã-Bretanha apoiou os Estados Unidos na guerra do Iraque, e Londres está em alerta elevado desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

O barril do petróleo voltou a ser cotado em torno de 61 dólares nesta sexta-feira, quando analistas concluíram que os atentados não devem ter maior impacto sobre a economia global e a demanda energética. Mas a libra esterlina caiu a seu menor valor em 19 meses frente ao dólar.

- Ainda há um pouco de prêmio de risco (especulação) terrorista no mercado - disse um estrategista de um banco londrino.

- Seria diferente se soubéssemos que foram militantes suicidas, e não uma célula ativa à solta - afirmou.

A polícia pediu à população que pensasse duas vezes antes de ir trabalhar nesta sexta-feira, a fim de não sobrecarregar o sistema de transportes.

A Comissão Islâmica de Direitos Humanos aconselhou os muçulmanos de Londres a ficar em casa, para evitar agressões. O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, que representa 1,6 milhão deles, pediu orações pelas vítimas.

- Sabemos que essa gente age em nome do Islã - disse o primeiro-ministro Tony Blair na quinta-feira, mesmo sem especular sobre a autoria dos ataques.

O medo e o sangue vistos na quinta-feira contrastam com a alegria da véspera na cidade, quando uma multidão tomou as ruas de Londres para celebrar sua escolha para realizar os Jogos Olímpicos de 2012.

O jornal londrino Guardian disse que os serviços de inteligência reduziram no mês passado o nível de alerta contra a ameaça da Al Qaeda. Mas uma importante fonte norte-americana de inteligência, que pediu anonimato, afirmou

Tags:
Edições digital e impressa