O 59.o Festival de Locarno vai chegando ao fim e, antes do comunicado anunciando os prêmios, é hora de um balanço.
A nova fórmula de levar alguns filmes de grande público para a Piazza Grande, retornando ao que se praticava nos anos 80, com filmes premiados em Cannes ou Berlim, mostrou ser eficaz. O tempo foi favorável, não choveu nenhuma noite e a Piazza Grande sempre esteve repleta com uma média de oito mil espectadores diante do telão.
Entretanto, a competição internacional não foi das melhores com poucos filmes acima da média. É verdade que a proximidade com o Festival de Veneza causa a perda de alguns bons filmes, cujos diretores e produtores preferem a prestigiosa competição italiana. Mas pode haver também uma responsabilidade da escolha, coisa ainda a determinar, depois de decantadas as primeiras impressões das imprensas italiana, francesa e alemã sobre o festival. A seleção, por exemplo, do filme português Body Rice parece incompreensível, e, num desabafo de um jornalista belga, um dos muitos que abandonaram a projeção, "só se entende se não foi visto pela comissão de programas.
Poucos filmes se sobressaíram entre os 21 apresentados. O primeiro é Das Fraulein, produção suíço-alemã da suíça de origem bósnia-croata Andrea Skata, sobre a vida dos imigrantes da ex-iugoslávia na Suíça, não sabendo nem se voltarão aos seus lugares de origem, pois o país onde viviam já não mais existe depois de uma guerra fratricida que isolou os próprios imigrantes.
Filme entre os favoritos, Das Fraulein podera sofrer as consequencia de um pequeno escandalo denunciado pelos jornais locais e que provocou o pedido de demissao da austriaca Barbara Albert do juri da Competicao Internacional.
Na verdade, descobriu-se que Barbara participara do projeto de roteiro do filme Das Fraulein e que, portanto, nao poderia pertencer ao juri. A primeira reacao do diretor do festival foi de desqualificar Das Fraulein, porem, com a demissao da jurada se espera manter o filme na competicao. A decisao final sera conhecida na proclamacao dos filmes vencedores.
Mijiana Karanovic, a atriz principal de Das Fraulein, forte candidata ao prêmio de interpretação, vive uma jovem imigrante cuja alegria interior muda a vida das pessoas com as quais se relaciona, mesmo se condenada por uma leucemia.
O segundo é o filme chinês Fu Sheng, (Blis) de Sheng Zhimin, mostrando o cotidiano de uma família pobre e comum, na nova China já distante das regras socialistas, dentro de um contexto onde uma fábrica vai fechar e nem todos os operários permanecem unidos diante da direção. Não falta também o bando de jovens delinquentes, ao qual pertence o filho de um antigo policial, mas com uma passagem