Por Rui Martins - O eterno choque vivido pelos religiosos entre o corpo e seus instintos, considerados malsãos, e o espírito. Esse o tema central do filme israelense Tikkun, do cineasta Avishai Siva, merecido Prêmio Especial do Júri que lhe foi concedido pelo Festival Internacional de Cinema de Locarno.
Por Rui Martins, de Locarno, Suíça: O fundamentalismo em qualquer religião pode levar ao desespero
O eterno choque vivido pelos religiosos entre o corpo e seus instintos, considerados malsãos, e o espírito. Esse o tema central do filme israelense Tikkun, do cineasta Avishai Siva, merecido Prêmio Especial do Júri que lhe foi concedido pelo Festival Internacional de Cinema de Locarno.
Um contudente libelo contra o beatismo e a carolice religiosa, que pode se manifestar em qualquer crença, no caso entre judeus ortodoxos ou hassídicos, vertente do judaismo ligada no misticismo, de origem ucraniana e polonesa asquenaze, oposta ao judaismo intelectualizado e acreditando nas manifestações malignas e no contato do homem com Deus.
O escritor Isaac Bashevis Singer foi um divulgador entre os goins das lendas, contos e cultura hassídica, o fotógrafo Cláudio Edinger viveu entre eles em Nova Iorque e conta numa deliciosa crônica, cujo título é Um hippie entre os hassídicos. Sem esse conhecimento básico é difícil para o espectador entender o drama vivido por Haim-Aaron, frequentador assíduo da Yeshivá, filho de um açougueiro kosher.
O filme em preto e branco, ressalta a roupa branca de Haim-Aaron com seu rosto magro e seus payots (espécie de costeletas nunca cortadas que se tornam cachos enrolados pendentes), seu chapéu preto ou sua kipa e todos balançando corpo e cabeça na leitura dso gextos sagrados da Torá.
O jovem Haim-Aaron quer ficar perto de Deus, como todo fanático religioso, e se inquieta quando seu pênis endurece, em busca daquilo que o jovem desconhece por viver fora do mundo. Submetendo-se a jejum e crendo-se alvo de provações ou de ataques do maligno, acaba por desmaiar e cair dentro da banheira, onde é encontrado como morto.
Depois de numerosas tentativas de reanimação e defibrilização por enfermeiros chamados de urgência, Haim-Aaron é dado como morto, mas seu pai intervem, faz uma última tentativa e reanima o filho. Uma ressurreição !
Porém, o filho já não é o mesmo e parece curioso pelo mundo ao seu redor, sendo mesmo expulso da Yeshivá, fazendo o pai pensar ser punido por ter impedido sua morte. Um filme fortemente anti fundamentalismo religioso.
Trailer - http://www.pardolive.ch/fr/pardo/program/film.html?fid=815301Rui Martins esteve em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.
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