A entrega do Leopardo de Honra ao cineasta russo Alexandre Sokurov - cujos filmes se tornaram conhecidos graças do Festival de Locarno ainda antes da glasnost soviética - foi marcada por um acontecimento inesperado. Frédéric Maire, o novo diretor do Festival Internacional de Cinema de Locarno desmaiou e caiu, no palco montado diante do telão, assim que anunciou a entrega do prêmio para o cineasta russo. Imediatamente, a transmissão da solenidade pelo telão foi interrompida, mas o público, cerca de sete mil pessoas, viu quando o ex-diretor Marco Muller e o presidente do Festival, Marco Solari, socorreram Frédérico Maire, transportado para um hospital, onde permaneceu, durante a noite, vítima de uma congestao alimentar e fadiga provocada pela correria de suas atividades.
Durante a tarde, o pröprio presidente do Festival, Marco Solari, tambem sofrera um desmaio e submetido a um controle, logo se recuperou. Em ambos os casos, anunciou-se nao se tratar de enfarte, mas se constatou haver um clima de stress na direcao do festival.
Mesmo sem seu diretor, o espetáculo continuou e Marco Muller, ex-diretor e agora responsável pela Mostra de Veneza, foi quem entregou o Leopardo de Honra para Sokurov, cujo último filma A Arca Russa, foi projetado no telão, logo depois da comédia americana Little miss sunshine.
Sokurov mostrou também no Festival seu documentário Elegia da Vida de Rostropovich e Vishnevskaya, com o falecido violoncelista Mstislav Rostropovich e sua esposa, a cantora de ópera Galina Vishnevskaya, sobre a existência do casal na antiga URSS, suas carreiras mas igualmente o combate de Rostropovich por uma arte sem fronteiras e pela liberdade da expressão.
No seu encontro com a imprensa, Sokurov falou de seu novo filme rodado na Chechenia, do qual participa Galina Vishnevskaya. Trata-se da história de uma avó que vai visitar seu neto, encontrando guarnições militares e soldados até chegar ao neto, mas o filme não mostra nem um tiro e nenhuma atividade militar, diz Sokurov. "Não sou nenhum especialista em Chechenia, mas a situação atual é de luta interna e de enorme insegurança para as filmagens. É dentro do país que agora se decide seu futuro, disse Sokurov.
O cineasta aproveitou para agradecer ao Festival de Locarno ter divulgado seus filmes e tornado conhecido seu trabalho ainda na época da URSS em conjunto com o Festival de Roterdã. Mas lamentou que os grandes festivais, na época seus aliados, não correm mais riscos como no passado e se preocupam, na grande maioria, apenas com o lado comercial. "Roterdã não é mais o mesmo e a Europa regrediu em termos de apoio ao cinema", afirmou Sokurov.