O primeiro longa-metragem do unido casal Jonathan Dayton e Valerie Faris é uma comédia satírica sobre a sociedade competitiva norte-americana, na qual o pior estigma é o de se tornar um "perdedor". Bem acolhido na projeção para a crítica, o filme - fora de competição - será projetado nesta noite no telão da Piazza Grande.
Road-movie de três dias, com uma família em rota para Los Angeles, Little miss Sunshine mostra um quadro familiar nada normal - o filho mais velho, que se diz adepto de Nietzsche, faz voto de não falar até seu esperado ingresso na Air Force americana; o avô foi expulso do asilo por ter cheirado cocaína; o pai, adepto das teorias do sucesso pessoal bem ao gosto americano, vai à falência apesar de dar conferências sobre "seja um vencedor e não um perdedor"; e Olive, a filha mais nova, que sonha vencer um concurso de beleza para crianças, comum nos EUA. A eles, vem se juntar o tio, intelctual gay especialista em Proust, sovrevivente de uma tentativa de suicídio por ter perdido o aluno pelo qual se apaixonara e o emprêgo na universidade.
A comédia foi selecionada para o Festival do Rio, onde o casal cineasta irá em novembro, e, sem dúvida, o filme fará sucesso no Brasil, mais próximo do clima de competições tão caro aos americanos, mesmo se a família Hoover, vivendo endividada como a maioria dos americanos, nada tem de vencedora, mas reúne um grupo de perdedores.
O filme revela a meninaAbigail Breslin, de doze anos, e Paul Dano, que apesar de estar agora com vinte anos, vive o papel de um adolescente. "Abigail tinha seis anos quando pensamos nela para o papel de Olive, e Paulo dezoito, conta Valerie Faris, mãe de três filhos, "que ainda não chegaram à idade de adolescentes" acentua. "No começo pensávamos que Paul já seria velho demais para um adolescente de quinze, mas ele foi ótimo no papel, junto com Abigail, constituíam os dois atores perfeitos para o filme", acrescenta Valerie.
"Nosso filme, diz Jonathan Dayton, refere-se à sociedade de competições, tão típicas nos EUA, na qual a vida parece ser também um concurso. No filme, queremos mostrar que a vida não é uma competição e na qual não se aceitam perdedores. Nada a ver com a idéia de uma sociedade dividida entre vencedores e perdedores. Trata-se da história de uma família classe média americana, com carro e casa, dos quais, na verdade, não são proprietários".
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