Líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR) disse, nesta sexta-feira, que o futuro ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA), terá dificuldades para nomear toda a sua equipe. Todos os cargos estariam liberados, segundo Jucá, desde que não se mude ninguém do PT que já esteja nomeado na pasta.ou nas estatais ligadas ao ministério. Segundo Jucá "não existe nenhum ministério de 'porteira fechada". Na tradução do termo político, segundo o próprio líder, Lobão não terá poder para nomear todos os integrantes da equipe.
- Essa não é uma regra do governo - diz ele, referindo-se à liberação total dos cargos no ministério.
De acordo com o líder do governo, as negociações relativas ao preenchimento dos cargos nas estatais do setor de Minas e Energia serão alvo de novo diálogo entre o PMDB e o governo, após Lobão ser confirmado no cargo, o que foi agendado para a próxima quarta-feira. Jucá, porém, repetiu que os cargos disponíveis para o futuro ministro são apenas aqueles que ainda estiverem vagos.
- A partir do preenchimento do ministério pelo ministro do PMDB, teremos o desdobramento da discussão dos outros cargos que estão vagos. Não há uma política de mudança de todos os cargos do Ministério de Minas e Energia. Ao contrário. E também não há verticalização de ministério, porque essa não é a política do governo em nenhum ministério - afirmou Jucá.
O senador por Roraima adiantou, também, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostou que o PMDB tenha feito "a indicação de Lobão" e o convite oficial ocorrerá no retorno de sua viagem a Cuba e à Guatemala.
- Edison lobão é um político respeitado no país. É um grande político, um homem experiente e eu tenho certeza que o presidente Lula, nomeando o senador Lobão, terá um grande ministro - disse Jucá.
CPMF não volta
Na proposta de Reforma Tributária que encaminhará ao Congresso em fevereiro, o governo não irá incluir medidas para a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A garantia é do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
- O governo não cogita editar ou encaminhar qualquer proposta que preveja a reedição da CPMF - disse ele, a jornalistas, no início da tarde.
No entanto, de acordo com o senador, o assunto poderá ser discutido no Congresso caso algum parlamentar apresente alguma proposta nesse sentido.
- As questões do Congresso, ninguém pode tolher. Se essa questão surgir dentro do Congresso, ela será debatida, mas não será uma posição do governo. Estamos numa democracia e o Congresso pode propor qualquer tipo de postura. Se qualquer congressista quiser propor imposto único, qualquer outro tipo de linha de raciocínio para a questão tributária, tudo será discutido no âmbito do Congresso, democrática e abertamente - disse.
Nesta quinta-feira, em reunião com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, parlamentares da base aliada admitiram que pretendem propor no Congresso Nacional, durante a discussão da reforma tributária, a criação de um tributo para substituir a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A idéia seria criar um imposto, cuja sugestão de alíquota seria de 0,2%, nos mesmos moldes da CPMF só que com recursos totalmente destinados à saúde.