O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou hoje (11) que o tratado entre o Brasil e a Bolívia para o fornecimento de gás prevê o pagamento de indenização em casos de desabastecimento.
- O Brasil não pode deixar de pagar os 31 milhões de metros cúbicos que contratou, mesmo se não usar tudo. Mas se a Bolívia não fornecer os 31 milhões, ela paga o que não forneceu ao Brasil - disse, sem dar detalhes de como seria feita essa indenização.
Lobão, no entanto, fez questão de destacar que o procedimento do governo da Bolívia tem sido correto em relação ao Brasil.
- O que está ocorrendo lá é uma situação política, uma questão de soberania interna - disse.
O ministro garantiu que, caso o desabastecimento volte a se agravar, o Brasil já tem estratégias definidas, apesar de não anunciar nenhum plano de contingência para ser adotado imediatamente.
- Daqui para diante continuaremos estocando algum gás para que, se houver um problema no futuro, não teremos grandes dificuldades - informou.
De acordo com Lobão, o governo pensa em suspender o funcionamento de termelétricas a gás, diminuir o suprimento de gás para as indústrias, que poderiam funcionar temporariamente com óleo diesel, e suspender por algum tempo a injeção de gás nos poços de petróleo.
O ministro revelou que uma das termelétricas da Petrobras já foi desligada, mas deverá ser acionada novamente, em breve.
O corte no fornecimento de gás automotivo, segundo o ministro, será a última hipótese adotada pelo governo.
- Mesmo assim, os motoristas não seriam prejudicados, pois passariam a usar álcool ou gasolina, que temos de sobra - afirmou.
O ministro explicou que o fornecimento de cerca de 15 milhões de metros cúbicos de gás foi interrompido hoje porque a válvula do gasoduto Yacuíba-Rio Grande foi fechada por um ato de manifestantes.
- Algumas pessoas foram lá e, com um martelo, deram pancadas na válvula, pretendendo destruí-la. Mas como se trata de um mecanismo moderno, a válvula apenas desligou e não quebrou. Por isso, foi possível restaurar o funcionamento dela com extrema rapidez - disse.
Edison Lobão admitiu que ainda há um déficit de abastecimento de 3 milhões de metros cúbicos, que não estão sendo enviados desde ontem por causa de uma explosão num gasoduto de Palmar Grande, no departamento de Tarija, no sul da Bolívia.
O ministro reafirmou que, no momento, os usuários de gás não precisam se preocupar com a possibilidade de um desabastecimento.
- Se prosseguisse com a interrupção de 15 milhões de metros cúbicos, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro sofreriam algum abalo. Mas com a retomada da normalidade, não há nenhum problema - afirmou.