Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Lixo radioativo em bomba suja preocupa técnicos

Segunda, 29 de Agosto de 2005 às 05:55, por: CdB

Especialistas australianos em energia nuclear manifestaram nesta segunda-feira preocupação de que fontes de lixo radioativo desprotegidas em centros médicos do Sudeste Asiático sejam usadas por militantes para a construção de uma "bomba suja".

Especialistas da Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear (ANSTO), que vistoriaram lixo radioativo no Sudeste Asiático no último ano, disseram que cobalto sem proteção foi encontrado em dois países depois que centros de terapia radioativa foram fechados.

- Quanto mais pudermos ter essas fontes controladas, mais poderemos ter a garantia de que não há material que possa ser usado para propósitos mal-intencionados - disse Ron Cameron, chefe de operações de ANSTO.

Cerca de 25 outros centros de radiação estão sendo investigados em um terceiro país, afirmou o jornal The Australian nesta segunda-feira.

Cameron recusou-se a dar o nome dos países envolvidos, mas disse que governos da Ásia precisam fazer mais para garantir a segurança dos materiais usados em tratamentos de câncer em grandes hospitais.

Ele disse que sem maior segurança e regras de armazenamento, há um risco de militantes encontrarem o material radioativo e usá-lo para construir uma arma capaz de contaminar uma grande área de uma cidade.

Explosivos convencionais colocados ao redor de material radioativo podem formar uma "bomba suja", que provocaria poucos danos imediatos, mas que poderia disseminar material radioativo, causando pânico e aumento de taxas de câncer.

Sob um programa de três anos, uma equipe de 10 especialistas da ANSTO está treinando autoridades de ilhas do Pacífico e do Sudeste da Ásia, para ajudar os países a encontrar e garantir a segurança do lixo radioativo.

Cameron disse que os materiais mais radioativos têm controle rígido e que seria difícil para militantes identificar e adquirir quantidade suficiente para construir e ativar uma bomba suja.

- Mas se localizarem uma fonte de material, a ameaça de montar ou o anúncio de que conseguiram poderia causar muitos danos - explicou.

A ANSTO é a organização de pesquisa e desenvolvimento nuclear da Austrália, e administra o único reator nuclear do país, que produz materiais para uso médico.

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