Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Live 8 pode influenciar no combate à pobreza, dizem políticos

Depois da série de shows do Live 8, que reuniu verdadeira galáxia de estrelas do rock mundial, políticos avaliaram neste domingo que o movimento da sociedade pode surtir efeito no combate à pobreza. (Leia Mais)

Domingo, 03 de Julho de 2005 às 08:43, por: CdB

Depois da série de shows do Live 8, que reuniu verdadeira galáxia de estrelas do rock mundial, políticos avaliaram neste domingo que o movimento da sociedade pode surtir efeito no combate à pobreza.

Mais de um milhão de pessoas participaram do evento neste sábado para exigir que o G8, grupo que reúne os oito países mais ricos do mundo, cancele as dívidas de países africanos e aumente a ajuda financeira para o combate à pobreza. O G8 se reúne na Escócia a partir de quarta-feira.

O ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, que defende o alívio das dívidas, disse que a opinião pública já ajudou a moldar acordos recentes sobre perdão de dívida e assistência. Mas ele lembrou que o fortalecimento do povo africano é um "trabalho de um vida inteira."

- Acho que se vê que ministros do mundo foram afetados pela força da opinião pública, igrejas, grupos de fé, e isso tem um impacto - disse Brown à rede de TV BBC.

O papa Bento 16, em discurso a uma multidão na Praça de São Pedro, disse esperar que o encontro do G8 leve ajuda verdadeira à África.

Mas muitos comentaristas questionaram se a extravagância musical pode mesmo influenciar a política no encontro em Gleneagles, na Escócia, e se a ajuda é a resposta aos problemas da África.

Mais de 26 milhões de pessoas enviaram mensagens de texto em apoio ao Live 8, estabelecendo recorde mundial para um único evento, disseram os organizadores.

Em Edinburgo, perto do local do encontro do G8, 200 mil pessoas participaram de uma manifestação pacífica para apoiar a campanha contra a pobreza.

A mídia britânica, onde o Live 8 realizou o maior de todos os show, elogiou o organizador, Bob Geldof, e os 170 artistas que participaram do evento.

Apesar de toda repercussão positiva, alguns participantes estavam mais céticos. A cantora Alicia Keys, por exemplo, questionou o interesse dos Estados Unidos em ajudar a África.

- A América tem um sentido de desconexão quando se trata da África ou de lugares que são muito longe, porque a maioria de nós não terá oportunidade de ver estes lugares - disse.

A cobertura do Live 8 limitada, feita pela TV norte-americana, também pode diminuir o impacto da demonstração do poder popular.

O britânico Peter Mandelson, comissário de Comércio da União Européia, disse que a pressão precisa ser mantida.

- Eles não podem ignorar isso - disse ele à BBC - Nós precisamos ver...a energia canalizada para a continuidade da pressão e que o interesse e a atenção não sejam temas apenas da ajuda humanitária e do alívio da dívida, mas do comércio.

Os shows aconteceram em Tóquio (Japão), Berlim (Alemanha), Barrie (perto de Toronto, no Canadá), Roma (Itália), no Chateau de Versailles (França), na Praça Vermelha de Moscou (Rússia) e em Johanesburgo (África do Sul), onde Nelson Mandela falou para quase 10.000 pessoas.

O maior show, no Hyde Park em Londres (Inglaterra), contou com a participação de Paul McCartney, Bono Vox, Madonna, Elton John, Pink Floyd, The Who e George Michael e reuniu 200 mil pessoas.

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