Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Lituanos elegem novo presidente

Domingo, 13 de Junho de 2004 às 07:30, por: CdB

A Lituânia realiza neste domingo, eleições presidenciais antecipadas, que coincidem com as eleições européias, após a crise desencadeada em torno do ex-chefe de Estado Rolandas Paksas, destituído pelo Parlamento há dois meses. As 2.038 seções eleitorais abriram às 7h (1h em Brasília) e fecham às 20h (14h em Brasília).

Na metade da votação, a participação era de 23,94 %. Além disso, nos três dias de votação antecipada 5,3 % do eleitorado deu seu voto, o que duplica o número das eleições presidenciais anteriores e parece indicar o interesse da população nessa dupla entrevista às urnas.

"A julgar pelos primeiros resultados, espero que a participação seja superior a 50 por cento", comentou o presidente da Comissão Eleitoral Central, Zenonas Vaigauskas à Rádio Nacional lituana.

A Lituânia, República ex-soviética que em maio passado ingressou na União Européia junto com suas vizinhas bálticas, a Letônia e a Estônia, tem um território de 65.300 quilômetros quadrados e 3,7 milhões de habitantes, dos quais 2,64 milhões formam o eleitorado.

A eleição antecipada do chefe de Estado - que deixa as eleições européias a um segundo plano, mas, ao mesmo tempo, estimula a participação -, se deve à destituição do presidente anterior pelo Parlamento no último dia 6 de abril, em meio a um grande escândalo.

Rolandas Paksas foi afastado por desrespeitar a Constituição com suas relações com grupos mafiosos russos aos quais revelou segredos oficiais e ofereceu favores em troca do financiamento da campanha eleitoral que o levou à presidência em janeiro de 2003.

Cinco candidatos se apresentaram às eleições presidenciais, dos quais o favorito é o também ex-chefe de Estado Valdas Adamkus, que ocupou esse cargo de 1998 a 2003 e tem o mérito de ter impulsionado a recém consumada entrada da Lituânia na Otan e na UE.

Os demais candidatos são o presidente interino do Parlamento, Ceslovas Jursenas; o negociador da entrada da Lituânia na UE, Pietras Austrevicius; Kazimiera Prunskene, ex-chefa do primeiro governo pós-soviético apoiada pelo destituído Paksas, e a ministra da Previdência Social e Trabalho, Vilija Blinkeviciute.

Ao anunciar que será candidato, Adamkus, de 78 anos, disse que não buscava uma revanche com Paksas, que ganhou dele em janeiro de 2003, mas fechar a ferida aberta pela crise política que obscureceu o retorno da Lituânia à família européia.

Adamkus explicou que seu objetivo é "fazer com que a Lituânia ocupe um lugar digno na comunidade mundial" e "devolver aos lituanos a paz social e a segurança em si mesmos e em seu Estado" depois da maior crise política desde a independência.

O político regressou à Lituânia há dez anos após ter passado mais da metade de sua vida exilado, primeiro na Alemanha e depois nos Estados Unidos, país de onde obteve a cidadania americana e foi alto funcionário do Meio Ambiente com seis presidentes.

Segundo a lei eleitoral, as eleições presidenciais são válidas se mais da metade do eleitorado forem às urnas, e sai vencedor o candidato que obtiver mais de 50 por cento dos votos válidos ou não menos de um terço do número total de eleitores.

No caso de nenhum candidato conseguir atender essas premissas, dentro de duas semanas seria realizada um segundo turno entre os dois candidatos mais votados no qual o presidente será eleito por maioria simples.

No Europarlamento, à Lituânia correspondem 13 do total de 732 cadeiras, disputadas por 241 candidatos promovidos por 11 partidos e uma coligação.
Segundo recente pesquisa telefônica do centro Gallup Europe, teriam maior espectativa de voto os partidos Trabalhista (34 por cento) e Social-Democrático, do popular primeiro-ministro Algirdas Brazauskas (21 por cento).

Em seguida vêm as alianças União da Pátria-Conservadores e Nova União-Social-Liberais, e a União Liberal do Centro (todas com 8 por cento), os Democratas-Cristãos (7) e o Partido Liberal

Tags:
Edições digital e impressa