O aparelho combina uma série de sensores que, instalados em um mesmo chip, percebem os componentes químicos que diferenciam uma uva de outra, ou uma safra de outra.
- O aparelho pode ser utilizado para detectar fraudes cometidas na safra do vinho ou a variedade das uvas utilizadas - afirmou a pesquisadora Cecília Jiménez-Jorquera, do Instituto de Microeletrônica de Barcelona, Espanha, que liderou o estudo.
Os cientistas programaram os sensores para identificar as principais categorias do paladar: doce, salgado, amargo, ácido e umami (expressão japonesa que quer dizer "saboroso", ou a sensação agradável gerada pelo contato da língua com os glutamatos).
As experiências foram feitas com o suco de quatro uvas populares na Catalunha – Airén, Chardonnay, Malvasia e Macabeu – e com os vinhos produzidos dessas uvas em 2004 e 2005.
A análise organoléptica dos resultados foi publicado na última edição da revista científica The Analyst, da Royal Society of Chemistry.
De acordo com a equipe, o aparelho é compacto, portátil, e pode ser "treinado" para identificar outras variedades de uva, permitindo testes instantâneos e em campo, sem a necessidade de enviar amostras para processamento em laboratório.
- O controle de qualidade dos vinhos e dos sucos da uva, assim como a quantificação de diversas espécies, tem tido grande importância na indústria do vinho - escreveram os cientistas, no artigo.
- Os diferentes estágios que formam a cadeia da produção de vinho, do cultivo das uvas ao envelhecimento e ao consumidor final, precisam ser monitorados para controlar possíveis fraudes e para quantificar o nível de determinados componentes críticos para a qualidade final do produto - afirmaram.
- Considerando a complexidade das amostras de vinho e a grande quantidade de dados que podem ser obtidos e tratados em cada medição, o uso de línguas eletrônicas na indústria do vinho é promissor - concluiram.