Embora não pareça, a percepção de limites é necessária para a saúde. Existem várias leituras dentro desse tema e a primeira delas seria, por exemplo, a percepção dos próprios limites corporais.
Sim, temos um corpo! Formado por braços, mãos, pernas, pés (você lembra que eles existem?), cabeça, barriga...e esse corpo tem um limite. Ele ocupa um espaço físico definido e bastante claro. Apenas para lembrar dos nossos tempos de aulas de física, “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo no espaço”. Parece simples mas não é. Algumas pessoas tendem (e insistem) em ocupar lugares aos quais não foram designadas ou simplesmente não podem ocupar. Não poder, do verbo “não poder mesmo”. Um exemplo: um ser humano não pode ser um pássaro...mesmo que invente asas sensacionais, ultra-modernas, as implante em seu próprio corpo e fique sentado num galho de árvore.
Perceber esses limites pode facilitar bastante a vida de uma pessoa, pois a lança na realidade de suas possibilidades. A conseqüência disso pode ser um foco no desenvolvimento da própria potência como caminho de realização na vida.
O segundo exemplo é a percepção dos limites de atitude. Parece simples, mas também não é. Existem pessoas que, de alguma forma, insistem em sorver da vida verdades absolutas que - em nome de “sei lá o que” - tentam empurrar goela abaixo de outras pessoas. Nesses casos, as outras pessoas podem se manifestar ou não. Me incluo no clubinho daqueles que se manifestam, por vezes até de forma um tanto desajeitada - em nome do meu limite, é claro.
No caso dos limites do corpo, a sensação de estar passando dos limites é menos sutil e muitas vezes se reflete em dores musculares e incômodos bastante reais, que devem ser respeitados. Do contrário, a doença é o que se instala no lugar – o que dá um trabalho imenso, por sinal.
No caso dos limites de atitude, a coisa é um pouco diferente. Depende necessariamente dos sentimentos que se apresentam em casos que vou chamar de “situações limite”. Muitas vezes esses sentimentos não ficam claros porque variam de uma pessoa para outra e há pessoas que nem sentem nada em momento algum (essas são as mais perigosas e as que normalmente não tem percepção dos limites de si mesmas e menos ainda do outro). Mas em ambos os casos, estamos falando de saúde física e mental. Uma está necessariamente ligada à outra. Acho que esse tema merece uma próxima coluna. Até lá.
Maria Beatriz Whitaker Penteado
biapenteado@uol.com.br
Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026
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