O Governo do Estado do Rio de Janeiro obteve ontem liminar na Justiça, proibindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de realizar nesta terça-feira, em Brasília, audiência pública para discutir a reabertura imediata do Aeroporto Santos Dumont para vôos domésticos – além da ponte aérea Rio-São Paulo. A decisão da juíza Emília Maria Velano (juíza federal substituta da 15ª Vara/SJDF, no exercício da titularidade da 22ª Vara) atendeu ao mandado de segurança impetrado pelo Governo do Estado, no qual alegou que a reunião não poderia ser realizada a “mais de mil quilômetros da população diretamente interessada”.
A juíza deferiu o pedido de liminar e determinou que uma nova audiência deva “ser marcada para a Cidade do Rio de Janeiro, com a participação mais ampla possível da comunidade diretamente interessada”.
O Governo do Estado defende que a reabertura do Santos Dumont ocorra após a conclusão do processo de concessão do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão) à iniciativa privada. O modelo está sendo desenhado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a licitação é esperada para 2009.
O fluxo de passageiros no Galeão apresenta crescimento consistente. De 2003 a 2007, foi de 124%, contra a média brasileira de 55%, segundo a Infraero. Após a ausência quase completa de vôos internacionais, o segmento se recupera. Recentemente, foram anunciados novos vôos: Rio-Houston (Continental Airlines); Rio-Londres (British Airways); Rio-Miami e Rio-Nova York (TAM); Rio-Washington (United) e Rio-Lisboa (TAP). Com a continuidade dos vôos domésticos no Galeão, há perspectivas de atração de outros vôos internacionais, todos dependentes da sua conectividade com o mercado brasileiro.
De acordo com estudos de técnicos das secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e de Transportes, a reabertura imediata do Santos Dumont esvaziaria o Galeão. Com isso, a unidade perderia sua conectividade e deixaria de ser atraente para empresas interessadas na concessão.
– Somos favoráveis à operação livre dos dois aeroportos, mas precisamos desses equipamentos fortalecidos. Consolidar o Galeão é fundamental para conseguirmos operadores, em nível internacional, fortes e competentes para o processo de concessão. Essa é a única forma de reverter a situação atual no tempo necessário – explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno.
A situação precária atual fez do Galeão o item que recebeu a pior nota (3,5) dada ao Rio na primeira fase da disputa pelas Olimpíadas de 2016.
Liminar suspende audiência pública sobre reabertura do Santos Dumont
Terça, 16 de Dezembro de 2008 às 09:38, por: CdB