Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Light avança para conseguir BNDES como sócio

Sexta, 03 de Junho de 2005 às 08:48, por: CdB

Os acionistas da Light aprovam nesta sexta-feira a emissão das debêntures que devem ser subscritas pelo BNDES até o final deste mês. Para o presidente da companhia, Jean-Pierre Bel, a entrada do sócio vai marcar uma nova etapa na vida da centenária distribuidora de energia carioca.

Há dois anos no cargo, Bel acha graça das notícias de que a controladora da Light, a estatal francesa Electricité de France EDF.UL, vai deixar o país depois de sanear a companhia.

-A gente vai sair logo quando a empresa vai ficar melhor? - rebate as constantes reportagens sobre uma provável venda da participação da EDF após valorização do ativo. As especulações ganharam força após anúncio da saída da empresa da Argentina, mas Bel garante que no caso do Brasil, as perspectivas da EDF são de longo prazo.

A empresa francesa adquiriu a Light em leilão de privatização, em 1996, e desde então já investiu 3,2 bilhões de reais no país. Até 2007, pretende investir cerca 1 bilhão de reais.

- O Brasil não é Argentina...na Argentina, depois de 2002, não teve mais perspectiva de recuperação, não tivemos ajuste de tarifas - explicou Bel a jornalistas durante a comemoração dos 100 anos da empresa na noite de quinta-feira.

Ele destacou que o índice de satisfação com o serviço e o atendimento da Light cresceu acima da média nacional, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Elétrica (Abradee), e a empresa agora está entre as três melhores do país neste quesito.

Confiante em um final feliz para a crise que se arrasta desde o racionamento de energia, em 2001, Bel espera para antes do final do mês a entrada dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que deve subscrever 727 milhões de reais da emissão total de 767 milhões de reais. O banco ainda analisa a operação.

Após a subscrição, a expectativa é de que o banco converta pelo menos a metade do valor em ações e fique com 20 por cento do capital da Light. A Light foi estatal de 1979 a 1996. A empresa foi criada por uma companhia canadense em 1905 e ao final da concessão teve seu capital assumido pelo governo brasileiro.

Assim que o BNDES aprovar a operação, a EDF vai converter uma dívida de 400 milhões de dólares da sua subsidiária em ações, exigência do programa do governo de ajuda às distribuidoras. Outra condição para participar do programa foi a renegociação de dívidas bancárias, concluída no mês passado, que reestruturou o pagamento de 660 milhões de dólares a 12 bancos credores.

A expectativa com a solução da crise tem levado as ações da companhia a registrarem altas expressivas na Bovespa, com picos de até 11% no dia. Nesta sexta-feira, apesar da leve queda do Ibovespa, as ações da Light resistiam e subiam 1,14% por volta das 11h.

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