Líderes mundiais saúdam morte de Bin Laden, mas temem vingança
Por Catherine Bremer
PARIS (Reuters) - A euforia com a morte de Osama bin Laden, mentor dos ataques de 11 de setembro, foi reduzida no Ocidente na segunda-feira pelos temores de retaliação e líderes mundiais e especialistas em segurança pediram vigilância redobrada contra ataques.
Os norte-americanos comemoraram nas ruas e os mercados dos EUA subiram com a esperança de que a morte de Bin Laden possa amenizar as ameaças que pairam sobre o mundo desenvolvido --mas mesmo o presidente Barack Obama afirmou que os ataques terroristas continuarão a ser uma preocupação.
A Interpol previu um risco aumentado e pediu por vigilância extra para o caso de seguidores buscarem vingança pela morte do homem que se tornou a face global do terror, apesar de não ter mais o controle tático sobre as ações da Al Qaeda.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, saudou a morte como um golpe na luta contra o terrorismo, mas tanto ele como o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, advertiram que isso não significa o fim da Al Qaeda.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também disse que o Ocidente teria de ficar "especialmente vigilante" nas próximas semanas.
Ao anunciar a morte de Bin Laden, Obama disse: "Não há dúvida de que a Al Qaeda continuará procurando nos atacar. Precisamos e permaneceremos vigilantes em casa e no exterior."
"O flagelo do terrorismo sofreu uma derrota histórica, mas esse não é o fim da Al Qaeda," disse Sarkozy, depois de as forças norte-americanas terem arremetido contra o luxuoso complexo onde Bin Laden se escondia e o matado, junto com outras quatro pessoas.
Alguns especialistas em segurança temem que o aniversário de 10 anos dos ataques de 11 de setembro incite ainda mais os simpatizantes da Al Qaeda.
"Enquanto nós, no Ocidente, possamos ter ficado satisfeitos com a Justiça sendo feita a um terrorista, muitos ainda consideram Osama bin Laden um mártir. Não tenham dúvida: jihadistas violentos reagirão a isso," disse Julian Lindley-French, do think tank London's Chatham House, à televisão Reuters Insider.
(Reportagem adicional de Chris Allbritton, em Islamabad; Vicky Buffery e Alexandria Sage, em Paris; Erik Kirschbaum, em Berlim; e redação de Londres)
Reuters