Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Líderes iraquianos pedem calma após atentados

Quinta, 04 de Março de 2004 às 06:14, por: CdB

Líderes xiitas do Iraque pediram calma à população e conclamaram seus seguidores a não entrar nas provocações para uma guerra civil depois dos atentados de terça-feira que mataram 185 fiéis em um dia sagrado para a comunidade. Grandes multidões participaram dos funerais realizados na cidade de Kerbala carregando caixões cobertos de flores.

Terroristas suicidas, morteiros e bombas escondidas mataram pelo menos 115 pessoas em Kerbala na terça-feira, mesmo dia em que outros suicidas mataram outras 70 pessoas em Bagdá, segundo dados mais recentes divulgadas pelo ministro da Saúde do país, Khudier Abbass.

Os atentados simultâneos, cujo alvo eram os xiitas envolvidos na celebração da Ashura, um feriado religioso, fizeram da terça-feira o dia mais sangrento do país desde a queda de Saddam Hussein, no ano passado.

O aiatolá Hadi Al Muddaresi, um dos clérigos xiitas mais conhecidos do Iraque, disse que os ataques eram uma tentativa de sunitas extremistas de fomentar a guerra civil no país, onde os xiitas, que são 60 por cento da população, foram reprimidos durante décadas por Saddam Hussein. 

O Conselho de Governo do Iraque, órgão cujos membros foram escolhidos pelos EUA, atribuiu a autoria dos ataques a Abu Musab Zarqawi, um jordaniano que, segundo os norte-americanos, trabalha para a Al Qaeda.

Os Estados Unidos oferecem uma recompensa de 10 milhões de dólares pela cabeça de Zarqawi e disseram ter interceptado uma carta dele conclamando ataques contra os xiitas a fim de dar início a uma guerra civil.

Uma carta supostamente enviada pela Al Qaeda para o jornal Al Quds Al Arabi, com sede em Londres, nega o envolvimento da rede terrorista nos atentados de terça-feira. A Al Qaeda culpa os EUA pelas mortes dos xiitas.

O Conselho de Governo decretou três dias de luto a partir de quarta-feira e adiou a assinatura de uma Constituição interina acertada no começo desta semana após várias desavenças.
Havia cenas de lamento nos funerais realizados em Bagdá e em Kerbala, mas poucos sinais de que os xiitas partiriam para a vingança.

``Os inimigos do Islã xiita desejam matar xiitas e provocar uma guerra civil'', afirmou Hussein Shammar, que velava por parentes mortos em Kerbala. ``Mas nada do que façam contra nós vai nos afetar porque não temos medo. Saddam Hussein fez coisas piores. Ele matou centenas de milhares de xiitas, mas ainda estamos aqui''.

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