Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Líderes da América do Sul evitam condenar Colômbia

Segunda, 10 de Agosto de 2009 às 11:12, por: CdB

Os presidentes sul-americanos evitaram nesta segunda-feira condenar um polêmico pacto militar entre Colômbia e Estados Unidos no documento final de um encontro da Unasul em Quito, apesar de a Venezuela e outros países da região desejarem uma sanção.

Em troca, os líderes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiram que seus chanceleres e ministros de Defesa vão discutir o tema em uma reunião marcada para este mês.

– Não tocamos no tema nesta reunião... queremos ver se isto será discutido em 24 de agosto no Conselho de Ministro de Defesa da Unasul, mas é um assunto muito grave – disse o presidente do Equador, Rafael Correa.

Venezuela e Bolívia defendiam que a Unasul emitisse uma condenação à Colômbia por ter fechado uma aliança militar segundo a qual cederá bases militares em seu território aos Estados Unidos para o combate ao tráfico de drogas. No entanto, a proposta não encontrou eco em nações mais moderadas, como Chile e Brasil.

O pacto militar entre Bogotá e Washington é considerado por alguns governos de esquerda da região liderados pela Venezuela quase como uma agressão armada. O Brasil, maior economia da América Latina, vê o acordo com maus olhos, mas não chegou a emitir qualquer condenação direta como alguns vizinhos.

O conflito causado pelo acordo é o mais recente capítulo de uma crise política regional que afeta a América Latina nos últimos anos, protagonizada por uma divisão entre os aliados dos Estados Unidos e seus opositores na região.

Para evitar enfrentamentos, o presidente colombiano, Alvaro Uribe, decidiu não participar da cúpula da Unasul, assim como o líder peruano, Alan García, um aliado próximo de Washington.
Na semana passada, Uribe viajou pela região para explicar o pacto militar e conseguiu que Chile, Peru e Paraguai defendessem seu direito soberano a fazer acordos.

O Brasil também defendeu a soberania, mas pediu a Bogotá mais transparência e pediu que o acordo seja discutido pela região. Equador, Bolívia e Venezuela criticaram a aliança e uniram forças para conseguir uma sanção diplomática para a Colômbia.

No encontro dos presidentes, o equatoriano Correa, que tomará posse nesta segunda-feira para um novo mandato, receberá da presidente chilena, Michelle Bachelet, a presidência temporária da Unasul, criada em maio de 2008 como um órgão político para unir a região.

A Colômbia disse na semana passada que o organismo poderia morrer nas mãos do Equador.
A Unasul é integrada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

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