Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Líderes andinos lançam novo esforço pela integração regional

Sábado, 16 de Julho de 2005 às 14:20, por: CdB

Os presidentes da Comunidade Andina de Nações (CAN) devem se reunir em uma cúpula na segunda-feira, em Lima, para insistir na integração, no momento em que vários países procuram impulsionar projetos energéticos na região, abalada por várias crises políticas.

O encontro contará pela primeira vez com a participação de representantes ou chanceleres do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) como membros associados, e do México, Chile e Panamá como observadores.

A CAN, bloco mais antigo da região, é formado por Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

"A integração não deve ser apenas comercial, mas deve implicar a harmonização de políticas econômicas e sociais", disse o chanceler peruano Manuel Rodríguez.

A democracia da região sofreu recentemente um golpe com a renúncia, em junho, do presidente da Bolívia, Carlos Mesa, segundo líder do país a se demitir em menos de dois anos devido à pressão de camponeses e mineiros, que exigem a nacionalização do setor energético.

Em abril, o presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, foi destituído pelo Congresso de seu país, em meio de uma crise política, depois de intervir no Poder Judiciário.

À crise política se somam as diferenças no âmbito econômico para levar adiante tratados de livre comércio com blocos desenvolvidos, como a União Européia (UE) e os Estados Unidos.

A CAN espera adotar em Lima medidas concretas para o desenvolvimento de um imposto comum e flexível antes de negociar, em 2006, um tratado comercial com a UE, por exigência do velho continente.

Por outro lado, Colômbia, Peru e Equador negociam com os Estados Unidos um tratado de livre comércio. Essas negociações estão atualmente travadas por divergências no sensível tema agrícola.

Segundo a agenda do encontro, a cúpula discutirá quatro temas: democracia e governabilidade, coesão social, combate às drogas e a integração da América do Sul.

Um dos temas que poderá dominar a cúpula é o energético. A América do Sul procura atualmente a integração através de uma rede de gasodutos para satisfazer a demanda de muitos países.

O plano foi proposto por Brasil, Argentina, Chile e Peru (o gasoduto começaria nesse último país) para evitar a dependência da convulsionada Bolívia, que tem a segunda maior reserva de gás natural da América do Sul.

O projeto, que conta com investimentos de pelo menos 2,5 milhões de dólares, despertou o interesse da Venezuela, que possui a maior reserva de gás da região.

A Venezuela propôs na última cúpula do Mercosul, realizada em junho no Paraguai, a criação da empresa regional Petrosur. Esta semana, em Lima, representantes desse país mencionaram a possibilidade de formar a Petroandina.

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