Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Líderes acertam trégua e adiam CPIs do Bingo e das Privatizações

Quinta, 23 de Junho de 2005 às 12:46, por: CdB

 Os líderes partidários reunidos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) nesta quinta-feira decidiram suspender, sem prazo, a instalação de novas CPIs, entre elas a dos Bingos.

- Fizemos um acordo de lideranças para avaliar a oportunidade de instalação de mais CPIs neste momento - disse a jornalistas o líder do governo Aloizio Mercadante (PT-SP).

A suspensão favorece um acordo tácito entre parlamentares do governo e da oposição, para delimitar o campo de batalha das CPIs que investigam irregularidades no governo Luiz Inácio Lula da Silva e podem alcançar o período do antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Congressistas do PT e do PSDB ouvidos pela Reuters sustentam que a abertura de outras quatro CPIs prontas para a instalação poderia comprometer a governabilidade e o funcionamento normal das instituições.

A partir de uma decisão do STF, que na quarta-feira determinou a instalação, no Senado, da CPI dos Bingos, também tornou-se inevitável a instalação de CPIs da Privatização, de irregularidades no Cartão do SUS e das privatizações no setor elétrico (todas sobre o governo FHC).

Os líderes no Senado decidiram fazer a indicação dos nomes para essas comissões, mas não marcaram data para sua instalação.

Renan, por sua vez, ressaltou que vai fazer a parte que lhe cabe:

-Vou indicar os nomes da CPI dos Bingos, se os líderes não o fizerem, e de qualquer outra CPI que cumprir os preceitos regimentais.

A trégua, segundo as fontes, não deve ser explícita. A abertura de novas frentes de investigação, no entanto, contraria parte do PT. O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) disse a colegas que esperava investigações sobre o governo Fernando Henrique.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), decidiu apresentar a proposta de congelamento das novas CPIs, até para testar a receptividade entre os demais líderes. Ele disse à Reuters que o primeiro passo foi "bem-sucedido".

No limite, segundo Virgílio, poderia ser instalada também a CPI do Mensalão, na Câmara. O líder argumenta que a CPI dos Correios já vai abarcar, naturalmente, a denúncia do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o suposto pagamento de "mesadas" a deputados da base governista pelo PT.

A delimitação do campo de batalha das CPIs foi objeto de consultas entre parlamentares e líderes do governo e da oposição na noite de quarta-feira, mas nenhum dos lados havia assumido a paternidade da idéia.

Mercadante argumentava com a possível inviabilização dos trabalhos no Senado. "Para instalar e fazer funcionar todas as CPIs propostas, seria necessário mobilizar 66 senadores."

Coube ao líder do PSDB verbalizar a proposta em entrevista ao chegar para a reunião no gabinete de Renan.

- Temos de nos entender sobre uma agenda de controle da crise, pois nenhum de nós é forte o bastante para querer controlá-la - disse Artur Virgílio, justificando o adiamento da instalação das outras CPIs.

- A crise é grande demais e temos de fazê-la diminuir, com a apuração rigorosa dos fatos, sem inviabilizar a governabilidade do país - acrescentou.

O líder tucano ressalvou, porém, que o PSDB está pronto para indicar seus componentes em qualquer CPI, inclusive as que investigariam o governo FHC.

- É tão fácil tocar fogo... O PSDB não é um partido que fica jogando gasolina no fogo, sabemos que um incêndio em grandes proporções só pode interessar a um populista ou a um oportunista, mas não a nós ou ao país -  disse Virgílio, em tom de desabafo.

- Se não formos compreendidos, então eu vou dizer em inglês: 'I give up!' (Eu desisto!) - disse Virgílio antes da reunião.

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