Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei exigiu, nesta sexta-feira, o fim dos protestos de rua que abalam o país desde a controversa eleição presidencial, realizada uma semana atrás, e afirmou que qualquer derramamento de sangue será culpa dos líderes do movimento. Ele defendeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad como o vencedor legítimo da eleição e descartou qualquer possibilidade de que o pleito tenha sido fraudado, como asseguram os opositores do atual presidente iraniano.
– Se houver qualquer derramamento de sangue, líderes dos protestos serão diretamente responsabilizados – declarou Khamenei, em seu primeiro pronunciamento à nação desde que as manifestações começaram. Ainda segundo o clérigo, "o resultado da eleição vem das urnas, não das ruas", afirmou, em relação à enorme multidão que lotava a Universidade de Teerã e ruas adjacentes para as orações de sexta-feira, o dia muçulmano do descanso.
– Hoje a nação iraniana precisa de calma – acrescentou.
Ele disse que qualquer queixa eleitoral deve ser encaminhada aos canais legais.
– Não vou sucumbir à inovação ilegal – disse ele, em aparente referência aos protestos de rua, que têm poucos precedentes nos 30 anos de história da República Islâmica.
O candidato oposicionista Mirhossein Mousavi pediu a anulação do resultado da eleição, que apontou Ahmadinejad como vencedor com quase 63% dos votos enquanto Mousavi, o concorrente mais próximo, teve 34%. O principal órgão legislativo iraniano, o Conselho dos Guardiões, está analisando as reclamações apresentadas pelos três candidatos perdedores, mas afirmou que somente serão recontados os votos das urnas contestadas.
– É uma impressão errada pensar que usando protestos de rua como forma de pressão eles vão convencer as autoridades a aceitar suas exigências ilegais. Esse seria o início de uma ditadura – disse Khamenei.
O aiatolá afirmou que os inimigos do Irã – país que é o quinto maior exportador de petróleo do mundo – estão atacando a legitimidade do regime islâmico por meio da contestação do resultado da eleição. O líder supremo do Irã, autoridade que tem a palavra final no país, em teoria permanece acima de disputas de facções, mas Khamenei admitiu que seus pontos de vista sobre política interna e externa estão mais próximos dos de Ahmadinejad do que dos rivais do presidente, que é um político linha-dura.
Ele atacou o que chamou de interferência de potências estrangeiras que questionaram o resultado da eleição.
– Comentários de autoridades norte-americanas sobre direitos humanos e limitações às pessoas não são aceitáveis porque eles não têm nenhuma ideia sobre direitos humanos depois do que fizeram no Afeganistão e Iraque e outras partes do mundo. Não precisamos de conselhos deles sobre direitos humanos – disse.
Muitos países europeus e entidades de defesa dos direitos humanos criticaram o resultado da eleição, mas o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, evitou comentários para manter uma janela aberta ao diálogo. Pessoas entoando slogans e segurando pôsteres de Khamenei, Ahmadinejad e do aiatolá Ruhollah Khomenei, o pai da revolução de 1979, lotaram as ruas do lado de fora da universidade.
O discurso de Khamenei se seguiu a seis dias de protestos dos partidários de Mousavi. Na quinta-feira, dezenas de milhares deles marcharam usando vestimentas pretas e carregando velas para lembrar os sete mortos nas primeiras manifestações contra o resultado da eleição.