O líder palestino preso Marwan Barghouthi disse em entrevista publicada nesta quarta-feira que o levante palestino vai continuar na Cisjordânia, apesar da promessa do presidente Mahmoud Abbas de acabar com toda a violência.
Barghouthi - que cumpre cinco penas de prisão perpétua depois de ter sido condenado por uma corte israelense por organizar ataques - também acusou Israel de prejudicar Abbas, dizendo que, "nesse ritmo", ele não ficará no poder por mais de seis meses.
O palestino, figura central da atual Intifada e que foi cotado no passado como possível sucessor de Yasser Arafat, disse ao jornal israelense Maariv que espera que a retirada de Gaza por parte de Israel seja "tranquila".
- Há um consenso de que nenhum tiro será disparado - afirmou Barghouthi.
Mas ao ser questionado sobre se o levante iniciado em 2000, depois do colapso de negociações de paz, tinha chegado ao fim, Barghouthi respondeu:
- O levante vai continuar na Cisjordânia, que vocês (Israel) continuarão controlando. O fim do levante virá quando houver o fim da ocupação. Tudo está frágil, tudo pode se romper a qualquer momento - observou.
Apesar do cessar-fogo combinado entre Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, Barghouthi acusou Israel de "zombar" de Abbas por não libertar grandes quantidades de prisioneiros palestinos.
O líder, que retirou sua candidatura na corrida presidencial palestina, garantindo assim a vitória de Abbas, disse que Israel deveria libertar 5.000 prisioneiros - ou quatro vezes mais do que os 900 prometidos para as próximas semanas.