O Líder Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou que se ponha fim a todas as denúncias sobre o processo eleitoral, e reafirmou que as eleições legislativas acontecerão em 20 de fevereiro, contra toda tentativa de adiamento.
"Pelo interesse das eleições em si, devem acabar as denúncias de todas as partes e agora todos devemos trabalhar cotovelo a cotovelo", disse Khamenei em uma mensagem lida na rádio nacional iraniana.
Khamenei respondia assim de forma indireta à carta anteriormente enviada pelo chefe do Governo, Mohammed Khatami, e do Parlamento, Mehdi Karrubi, que se queixavam de que o influente Conselho de Guardiães da Constituição (CGC) não havia cumprido as ordens do Líder Supremo.
O CGC -um órgão dominado pelos conservadores- foi o desencadeador de toda a crise atual, ao desclassificar 3.600 de 8.000 candidatos às eleições, e um pedido expresso de Khamenei para que revisasse suas decisões o fez lançar seu veto apenas sobre 1.160 candidatos.
Em sua carta de ontem, Khatami e Karrubi, cabeças do reformismo, se queixavam de que o CGC foi econômico em sua clemência, pois continuam de fora da corrida eleitoral mais de dois mil candidatos reformistas, entre eles dezenas de deputados do Parlamento.
Diante da crise, o Governo de Khatami pediu na semana passada formalmente o adiamento das eleições de 20 de fevereiro, mas tanto o CGC como Khamenei negaram o pedido. Como resposta, uma centena de deputados apresentou demissão, enquanto que o principal movimento reformista, encabeçado pelo irmão do próprio presidente, Mohamed Reza Khatami, convocaram o boicote às eleições.