O principal líder muçulmano da Nigéria disse nesta quarta-feira que 300 pessoas, em sua maioria muçulmanas, foram mortas em ataques realizados no último domingo por milícias cristãs na cidade de Yelwa.
Justice Abdulkadir Orire, secretário-geral do Jama'atu Nasril Islam, descreveu os ataques como parte de um "genocídio" e disse que, nos últimos três meses, entre 700 e 800 pessoas foram mortas por causa da violência étnica.
"A informação que temos é que 300 pessoas morreram e que elas são, em sua maioria, muçulmanas. Consideramos isso um genocídio porque as mortes envolveram crianças e mulheres", disse Orire à Reuters em uma entrevista concedida por telefone.
O conflito entre a tribo cristã Tarok e a tribo muçulmana Fulani baseia-se na disputa por terras férteis situadas na região central do país mais populoso da África e alimenta-se das diferenças étnicas e religiosas dos grupos.
Segundo Orire, a milícia cristã usou metralhadoras nos ataques, que deixaram a maior parte dos prédios de Yelwa, entre os quais uma mesquita, destruídos. O governador do Estado de Plateau (onde fica a cidade) foi criticado por aparentemente incitar a violência.
Orire disse que os policiais estacionados em Yelwa haviam saído do local quatro dias antes dos ataques, apesar dos protestos de muçulmanos. "Parece que o governador está dando apoio a essa investida", afirmou o líder muçulmano.
Milhares de muçulmanos foram às ruas da cidade nesta terça-feira para gritar palavras de ordem e para prometer vingança contra os agressores. O vice-governador do Estado mandou os soldados atirarem contra eventuais arruaceiros e anunciou a imposição de um toque de recolher.
O presidente nigeriano, Olosegun Obasanjo, enviou centenas de policiais para a região.
A violência étnica e política no país já matou 11 mil pessoas desde a eleição de Obasanjo, em 1999.