Líder interino assume em meio a distúrbios na Tunísia
A capital da Tunísia permanece neste fim de semana sob tensão, depois que o presidente Zine al-Abidine Ben Ali renunciou ao cargo e deixou o país. Tanques e soldados do Exército mantêm a guarda nos prédios do governo em meio às manifestações, e o país continua sob estado de emergência e toque de recolher
A capital da Tunísia permanece neste fim de semana sob tensão, depois que o presidente Zine al-Abidine Ben Ali renunciou ao cargo e deixou o país. Tanques e soldados do Exército mantêm a guarda nos prédios do governo em meio às manifestações, e o país continua sob estado de emergência e toque de recolher.
O Conselho Constitucional declarou neste sábado que o chefe do Parlamento Foued Mebazaa seria o novo presidente interino do país até as novas eleições, que devem acontecer em 60 dias.
Em comunicado transmitido pela TV, Mebazaa disse à tarde que todos os partidos, incluindo os de oposição, serão consultados e "associados ao processo político" do país. Também afirmou que pediu ao premiê que comece diálogos para a formação de um governo de unidade.
Apesar disso, na noite de sábado havia relatos de incêndios, saques e distúrbios pelo país.
Pela manhã, a situação havia se agravado quando uma prisão na cidade de Monastir pegou fogo, matando mais de 40 pessoas, segundo testemunhas. Dezenas de prisioneiros escaparam.
Na última sexta-feira, o presidente Ben Ali renunciou após 23 anos no poder. Depois de o poder ser brevemente ocupado pelo primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, Mebazaa se tornou o presidente em exercício.
Renúncia
A renúncia de Ben Ali, que foi o segundo presidente da Tunísia após a independência da França, ocorreu depois de o governo decretar estado de emergência e um toque de recolher, enquanto milhares de manifestantes protestavam no centro da capital Túnis.
Segundo correspondentes, soldados do Exército estão patrulhando o centro da cidade, que foi fechado por causa do estado de emergência.
O Aeroporto Internacional de Túnis, fechado em meio às tensões na sexta-feira, reabriu neste sábado, liberando centenas de turistas e estrangeiros que estão deixando o país em voos especiais.
Em Mahdia, no sul do país, há relatos de que confrontos em uma cadeia municipal tenham deixado ao menos cinco mortos.
Fuga
Durante o último mês, a Tunísia foi tomada por protestos contra o desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção. As forças de segurança, acionadas pelo presidente Ben Ali, abriram fogo contra os manifestantes.
Segundo organizações de direitos humanos, mais de 60 pessoas morreram nas últimas semanas, à medida que os enfrentamentos se tornavam mais violentos.
Ben Ali renunciou na sexta-feira após uma manifestação contra ele em Túnis e deixou o país com a família no mesmo dia.
O governo francês rejeitou o pedido para que o avião com do presidente pousasse na França. Ele reabasteceu em Sardenha, na Itália, e pousou em Jeddah, na Arábia Saudita.
Em comunicado oficial, o palácio saudita disse que "preocupado com as circunstâncias excepcionais que enfrenta o povo-irmão da Tunísia e em apoio à segurança e estabilidade de seu país, o governo saudita recebeu o presidente Zine al-Abidine Ben Ali e sua família no reino".
Neste sábado, o Ministério de Relações Exteriores do Egito disse que estava acompanhando de perto os eventos e que Cairo respeita as escolhas do povo da Tunísia.
A França pediu eleições livres no país assim que possível. Um comunicado do presidente Sarkozy pedia o fim dos protestos violentos.
A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França pediram a seus cidadãos que não façam viagens ao país, a não ser em casos essenciais.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.