O líder do Talebã, mulá Mohammad Omar, rejeitou uma oferta de anistia e ordenou a seus homens que continuem combatendo as forças dos Estados Unidos e do governo afegão, disse um porta-voz da milícia nesta terça-feira.
O responsável por negociar com o Talebã em nome do governo disse pela primeira vez na segunda-feira que Omar poderia se beneficiar da anistia.
- Não precisamos de qualquer garantia de segurança do governo - disse Abdul Latif Hakimi, porta-voz do Taliban, por telefone, de local não revelado.
-Não estamos escondidos. O mulá Omar, nosso líder, não está escondido. Em vez disso, ele está lutando - disse ele ainda.
Omar está entre os militantes islâmicos mais procurados pelos Estados Unidos. As forças dos EUA caçam o mulá e o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, desde que expulsaram o Talebã do poder, em dezembro de 2001, numa retaliação aos atentados de 11 de setembro daquele ano.
Militantes do Talebã travaram uma série de batalhas contra as forças dos EUA e do governo local nas últimas semanas, contrariando as especulações de que o grupo estaria sem recursos e soldados.
Mais de 80 insurgentes foram mortos na última semana no sul e no leste do Afeganistão, segundo os EUA. Dois marines norte-americanos também morreram, quando revistavam uma caverna, no último domingo, e dez soldados do governo foram mortos na semana passada. O Talebã nega que tenha sofrido tantas baixas e diz, por outro lado, que provocou mais mortes entre seus inimigos.
O presidente Hamid Karzai ofereceu uma anistia a todos os militantes, exceto aos líderes envolvidos em atrocidades ou ligados à Al Qaeda. Poucos aceitaram.
Mas o ex-presidente Sibghatullah Mojaddedi, encarregado do programa de anistia, disse na segunda-feira que também estaria disposto a incluir Omar e outro comandante guerrilheiro, Gulbuddin Hekmatyar.
Karzai, que está visitando a Europa nesta semana, não confirmou o anúncio de Mojaddedi. Um porta-voz militar dos EUA disse que a anistia não é geral e que pessoas que cometeram crimes serão punidas.
O porta-voz do Talebã menosprezou os comentários de Mojaddedi, que liderou a revolta islâmica contra a ocupação soviética, na década de 1980, e ocupou brevemente a presidência, no começo dos anos 1990.
- Mojaddedi não está ciente dos fatos", disse Hakimi.
- Por que ele esqueceu as lições da jihad (guerra santa)? Ele mesmo lutou contra os soviéticos.
Segundo Hakimi, "por ordens dele (Omar), ampliamos os ataques contra as forças dos EUA nas últimas semanas e continuaremos a fazer isso."