Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Líder do Sinn Fein pede ao IRA que adote a política

Quarta, 06 de Abril de 2005 às 18:25, por: CdB

O líder do Sinn Fein, Gerry Adams, pediu na quarta-feira ao IRA que use as palavras, não as armas, para tentar acabar com o domínio britânico na Irlanda do Norte.

Em um discurso cuidadosamente aclamado por Dublin e Londres, mas apontado por outros como uma cínica manobra eleitoral, Adams disse que o Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) deveria optar por uma solução política e democrática, em detrimento da violência.

"No passado, defendi o direito de o IRA se engajar na luta armada. Fiz assim porque não havia alternativa. Agora há alternativa", disse o presidente do Sinn Fein, que é um aliado político do IRA. "Quero apelar à liderança para abraçar totalmente e aceitar esta alternativa."

O IRA declarou um cessar-fogo em 1997, mas a violência persiste em incidentes isolados, o que prejudica os esforços para a retomada do governo autônomo, suspenso devido a discordâncias entre católicos e protestantes.

"A forma de avançar é construir um apoio político para os objetivos republicanos e democráticos em toda a Irlanda e obter o apoio para estes objetivos internacionalmente", disse Adams.

Uma recente onda de crimes atribuídos ao IRA, inclusive um roubo a banco e um homicídio em Belfast, colocaram o Sinn Fein sob intensa pressão para censurar duramente os seus tradicionais aliados.

Importantes políticos norte-americanos de origem irlandesa esnobaram Adams durante a tradicional visita dele aos EUA no dia de são Patrício, padroeiro da ilha, em março.

O Departamento de Estado dos EUA disse na quarta-feira que está animado com as declarações de Adams, mas aguarda resultados concretos.

Os governos da Grã-Bretanha e da República da Irlanda também elogiaram o comentário de Adams, mas cobraram ações por parte do IRA.

"O apelo de Gerry Adams ao IRA é significativo e tem potencial. Entretanto, esta declaração só poderá vir a ser julgada com base nas ações do IRA", disse o primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern.

Mas James Dingley, que dá conferências sobre terrorismo e violência política na Universidade do Ulster, disse que os comentários de Adams não passam de um gesto político, programado para coincidir com o começo da campanha eleitoral na Grã-Bretanha.

"A campanha eleitoral é um fator importante aqui, e eles têm de fazer o barulho correto", disse ele. "Eu colocaria isso como uma tática eleitoral para consumo do público e nada mais."

As negociações para a volta do governo autônomo de coalizão foram rompidas no ano passado, e desde então o impasse permanece. Dublin e Londres culpam o IRA pelas dificuldades. O Partido Democrático Unionista, principal adversário do Sinn Fein, se recusa a formar o governo até que o IRA deponha suas armas.

Até agora, ninguém foi preso pelo homicídio de Belfast, cometido por uma gangue que inclui notórios membros do IRA. As irmãs da vitima anunciaram a intenção de arrecadar 250 mil libras (470.500 dólares) para iniciar um processo civil contra os autores. Isso pode ser mais um golpe para a guerrilha republicana.

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