A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou nesta quarta-feira que a candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado é irreversível. A senadora lamentou a decisão do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) de entrar na disputa, após declarar várias vezes que não seria candidato.
- Estamos em uma situação política que não foi criada por nós. Lamentamos que a situação tenha chegado a esse grau de constrangimento - disse a líder petista, argumentando que a candidatura de Viana surgiu porque Sarney, desde novembro, vem afirmando que não seria candidato.
- As declarações do Sarney eram públicas e notórias. Só para o Tião foram cinco vezes, olho no olho - disse Ideli.
- Estamos mantendo nosso acordo na Câmara e não temos como recuar agora, ainda mais com partidos anunciando apoio, como o PDT e o P-SOL. Agora, vamos para o voto - completou.
Em relação à neutralidade do Palácio do Planalto em relação à disputa, Ideli disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderia intervir em uma disputa entre dois candidatos, que participam da base. Mesmo assim, ela afirmou que o próprio presidente teria demonstrado insatisfação pela postura de José Sarney.
Para Ideli, não houve nenhum fato novo que justificasse a mudança de postura de Sarney.
- Não sabemos qual foi o fato novo que fez com que ele [Sarney], depois de tanto tempo negando, venha, agora, assumir a posição de candidato - argumentou a líder petista, dizendo não se sentir traída por Renan Calheiros (PMDB-AL), principal articulador da candidatura de Sarney.
Na ùltima legislatura, Ideli apoiou a candidatura de Renan à presidência.
- A oposição não poderia contar com meu voto para eleger um presidente contra o governo - justificou.