Líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah apareceu em público nesta sexta-feira pela primeira vez desde a guerra de 34 dias contra Israel, apesar das ameaças israelenses feitas contra ele. Nasrallah acenou para partidários em um grande comício em Beirute, convocado por ele para comemorar a "vitória divina" do Hezbollah no conflito. Ele deve discursar para a multidão de várias centenas de milhares de pessoas mais tarde.
Nesta sexta, dezenas de milhares de defensores do Hezbollah viajaram nesta sexta-feira para Beirute, obedecendo à convocação do líder do grupo militante, Sayyed Hassan Nasrallah, para um ato público para comemorar a "vitória divina" sobre Israel. Os organizadores da manifestação acreditam que centenas de milhares de pessoas de todo o país participarão do evento, que será realizado num bairro devastado pelos ataques israelenses durante os 34 dias de guerra. Mas não esclareceram se o ato contará com a participação pessoal de Nasrallah.
A guerra entre Israel e o Hezbollah foi interrompida por uma trégua imposta pela ONU no dia 14 de agosto. Horas antes do início da manifestação, marcada para a noite de sexta-feira, milhares de pessoas já se reuniam no bairro xiita do sul de Beirute.
- Deus foi generoso conosco e nos garantiu essa vitória contra nosso inimigo. Ele foi generoso conosco e nos deu Sayyed Hassan Nasrallah, para que venhamos aqui para celebrar com ele. Estamos dispostos a responder ao chamado de Sayyed Nasrallah com nosso sangue, nossos filhos e tudo o que temos - disse Hussein Kaddouh, de 29 anos, da cidade de Yater, no sul do Líbano.
Centenas de pessoas viajavam a pé para Beirute saindo das cidadezinhas xiitas destruídas pelos bombardeios e pela invasão israelense. A multidão carregava fotos de Nasrallah e bandeiras amarelas do Hizbollah, com os dizeres: "Aqui estamos, Nasrallah". Muitos usavam camisetas amarelas e entoavam gritos de guerra pró-Hezbollah.
Alguns diziam que seu objetivo não era só comemorar, mas também ver o carismático Nasrallah.
- Vim para ver Sayyed. Este é o verdadeiro dia da independência do Líbano, e queremos estar junto dele - disse Zahra Soueidan, da cidade de Bayada, no sul do Líbano.
A intenção era que a manifestação coincidisse com a retirada definitiva dos soldados israelenses do sul do Líbano, mas o chefe do Exército israelense disse na quarta-feira que a retirada pode levar mais alguns dias. As forças israelenses vêm deixando gradativamente o território que ocuparam durante os combates, que começaram quando guerrilheiros do Hezbollah mataram oito soldados israelenses e sequestraram dois no dia 12 de julho.
O Hezbollah se declarou vencedor da guerra, que matou quase 1.200 pessoas no Líbano, a maioria civis, e 157 em Israel.
- Convoco-os a participar do ato de vitória, sua vitória ... no subúrbio sul, o subúrbio da honra, da glória, da fé, da lealdade e da vitória de todo o país - disse Nasrallah na TV Al-Manar, do Hezbollah.