O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, propôs na segunda-feira uma aliança do mundo árabe para derrotar Israel e Estados Unidos.
``Nossa batalha é contra os dois lados, um deles a maior potência do mundo, os EUA, e o outro a maior potência na região Israel'', afirmou ele a centenas de pessoas no campo de refugiados palestinos de Al Yarmouk, perto de Damasco.
``Este é o calibre da batalha. Não seremos vitoriosos se o outro lado da batalha não for árabe e muçulmano, todos os árabes e muçulmanos'', disse ele em uma cerimônia em memória de Abdel Aziz Al Rantissi, líder militar do grupo, assassinado no sábado por Israel.
Meshaal, que em 1997 sobreviveu a uma tentativa de homicídio cometida por Israel na Jordânia, prometeu que o Hamas vai vingar a morte de Rantissi e o do líder espiritual do grupo, xeque Ahmed Yassin, também assassinado por Israel, em 22 de março.
Os israelenses, segundo Meshaal, vivem ``horrorizados à espera da nossa resposta, durante ela e depois dela''. ``Não se preocupem, haverá uma resposta e a resistência vai continuar, se Deus quiser.''
Ele pediu aos líderes de 22 países árabes e de mais de 30 nações muçulmanas não-árabes que ``façam uma aliança, mesmo temporária, para combinar suas capacidades contra o inimigo''.
``O problema está em nós, não no equilíbrio de poder. Se a nação islâmica combater da mesma forma que palestinos e iraquianos estão combatendo em Rafah, Jenin e Falluja, então, por Deus, vamos derrotar tanto os Estados Unidos quanto Israel.''
Os árabes e muçulmanos, segundo ele, ``têm um grande dever, e não quero dizer a eles o que fazer. Deus perguntará aos árabes e muçulmanos o que eles estavam fazendo enquanto os filhos da Palestina estão cumprindo suas obrigações''.
O Hamas, que se propõe a destruir o Estado judeu, considera que Israel e os territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza deveriam formar o Estado palestino. O grupo rejeita o plano de paz norte-americano para a região, que prevê a independência palestina até 2005 na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Meshaal disse à Reuters na quarta-feira que os EUA ''dispararam uma bala fatal'' no plano de paz quando o presidente George W. Bush deu aval à proposta do governo israelense de desocupar a Faixa de Gaza e manter alguns assentamentos na Cisjordânia. Além disso, Bush sugeriu que os refugiados palestinos e seus descendentes não poderão voltar ao território que hoje pertence a Israel, de onde esse grupo fugiu em 1948.
Meshaal pediu aos líderes árabes, que em maio realizam reunião de cúpula na Tunísia, que ``declarem a morte do chamado processo de paz''.