Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Líder do Hamas já pensa em negociar com Israel

O Hamas poderá, um dia, mudar a cláusula que pede a destruição de Israel e negociar com o Estado judeu, disse um líder político do grupo militante na Cisjordânia. Os comentários de Mohammed Ghazal, sem precedentes nas últimas décadas, distinguem-se de declarações recentes de chefes mais graduados do grupo armado em Gaza. Mas eles refletem uma aparente mudança do Hamas em direção à política e para tentar conseguir maior aceitação mundial antes das eleições palestinas. (Leia Mais)

Quarta, 21 de Setembro de 2005 às 06:28, por: CdB

O Hamas poderá, um dia, mudar a cláusula que pede a destruição de Israel e negociar com o Estado judeu, disse um líder político do grupo militante na Cisjordânia.

- A Carta não é o Alcorão", afirmou Mohammed Ghazal em entrevista em Nablus, no final da noite nesta terça-feira.

Os comentários sem precedentes de Mohammed Ghazal distinguem-se de declarações recentes de chefes mais graduados do Hamas em Gaza. Mas eles refletem uma aparente mudança do Hamas em direção à política e para tentar conseguir maior aceitação mundial antes das eleições palestinas e depois da retirada israelense da Faixa de Gaza.

- Historicamente, acreditamos que toda a Palestina pertence aos palestinos, mas estamos falando agora sobre realidade, sobre soluções políticas...as realidades são diferentes - ressaltou.

Ghazal disse que ainda é muito cedo para falar em reconhecer Israel, "já que Israel não me reconhece como a vítima".

Ele afirmou que qualquer negociação do Hamas com Israel dependerá de retirada da Cisjordânia e da parte oriental de Jerusalém para permitir a criação de um Estado independente, além do "direito de retorno" de refugiados palestinos que fugiram em 1948 e de seus descendentes.

Mas o líder reconheceu que essas condições provavelmente nunca serão cumpridas. Apesar da retirada das tropas de Gaza depois de 38 anos de ocupação, Israel disse que manterá para sempre o controle de Jerusalém Oriental e dos grandes assentamentos da Cisjordânia e nunca permitirá a entrada de milhões de palestinos em Israel.

- Os israelenses devem chegar ao estágio em que sentirão que devem negociar conosco e naquele momento não acho que haverá problema de negociar com os israelenses - disse Ghazal, conhecido como relativamente moderado. 

- A idéia de negociar não é algo problemático e não é um dogma - observou ele, em seu escritório na universidade An Najah, onde é professor de engenharia.

O Hamas, classificado como grupo terrorista pelos Estados Unidos e pela Europa, vem sendo o maior responsável por atentados suicidas e ataques com foguetes contra Israel no levante palestino que começou em 2000.

O grupo, ao contrário da Autoridade Palestina, defende a substituição de Israel por um Estado palestino e não a criação de um Estado ao lado do judaico.

Mas o Hamas foi enfraquecido pelas ações militares e assassinatos de Israel e vem respeitando uma trégua selada em fevereiro. O grupo prepara-se para participar pela primeira vez de eleições parlamentares, em janeiro, e espera ganhos políticos.

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