O depoimento do argentino César Mendoza de La Cruz Arrieta, acusado de fraudar cerca de R$ 1,5 bilhão da Receita federal, será realizado nesta quinta-feira na Polícia Federal, no Rio Grande do Sul. Arrieta foi preso segunda-feira em Porto Alegre, na Operação Tango, que resultou na prisão de 13 pessoas em cinco estados do país.
Outros 12 envolvidos nas fraudes já haviam prestado depoimento. Apenas um dos procurados, com mandado de prisão expedido e residente em São Paulo, não foi preso. Chegou na quarta-feira a Porto Alegre Fábio Magno de Araújo Fernandes, preso em João Pessoa, na Paraíba, acusado de intermediar certidões falsos no esquema de venda de créditos fiscais.
O golpe na Previdência consistia na prática de fraudes com dívidas parceladas e acordos para ações de revisão de benefícios. Arrieta foi preso em Porto Alegre, na casa da companheira, a advogada tributarista gaúcha Sônia Regina Soder, com quem teve dois filhos (atualmente com dois e cinco anos). Ela também foi presa por envolvimento nas fraudes contra a Previdência.
O argentino César Arrieta é apontado como um dos maiores fraudadores da Previdência Social no Brasil, acusado de ter desviado US$ 3 bilhões nos anos 90, que teve a participação de cerca de 30 funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele foi condenado a 16 anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro, chegou a ser preso em 1995, mas não ficou sequer um ano na prisão. Beneficiado por medida liminar, conseguiu permanecer solto, aguardando o julgamento de recurso em liberdade.
De acordo com a ficha de Arrieta na Polícia Federal, ele nasceu em Formosa, na Argentina, em novembro de 1950, e chegou ao Brasil em maio de 1988. A profissão que consta na ficha é banqueiro, apesar de a Polícia Federal nunca ter encontrado ligação do nome com qualquer instituição financeira. Seu visto de permanência como turista no Brasil foi prorrogado por cinco vezes.
Nos golpes contra a Receita Federal, Arrieta era o proprietário da empresa Vale Couros Trading S.A, usada como fachada para operações ilegais. A Vale Couros, supostamente, comprava de grandes investidores suas aplicações financeiras, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), cuja negociação era proibida. Já a compra dos créditos do IPI era financiada pela própria Vale Couros, que emprestava dinheiro às empresas em dívida com a Receita. No dia 30 de junho do ano passado, a empresa foi vendida ao Banco Santos.