O líder do PSDB no senado, Arthur Vigílio (AM), disse neste segunda-feira que ficou assustado com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Inglaterra. Para ele, foi uma gafe brutal o presidente ter feito críticas à politica americana e à guerra contra o Iraque na frente do anfitrião, o primeiro-ministro Tony Blair.
- Se é para falar o que disse, é melhor ficar aqui e adotar o modelo Itamar - aconselhou. O senador afirmou que Lula pode ser duro, mas não falastrão.
Um dos principais opositores do governo no Congresso, Virgílio considerou também uma grosseria a postura do presidente da Assembléia portuguesa, João Bosco Mota Amaral, que cobrava de Lula a realização de um projeto alternativo.
- Não temos que dar satisfação a ele - enfatizou.
Virgílio se mostrou insatisfeito com a proposta de criação de uma comissão mista no Congresso para discutir a reforma da Previdência sem que a oposição tenha sido consultada.
- Queremos que zere o jogo para não sabermos da notícia pelo jornal - afirmou. Ele disse que a oposição vai avaliar se é necessário montar essa comissão.
O líder do PSDB considera o governo uma caixinha de surpresas, o que, para ele, não é bom para o país. Virgílio disse que, num primeiro momento, a imagem de Lula agrada, mas que essa fase passa.
- É preciso ter solidez das propostas, previsibilidade das decisões.
O senador criticou também a postura do governo na condução de suas politicas.
- Se conseguisse produzir resultados sociais como produz tolices, estaríamos com o Índice de Desenvolvimento Humano melhor que o da Noruega - declarou.
O senador definiu com a ironia característica o que ele considera um governo sem rumo.
- O governo é festivo na política externa, inepto na administração, razoável para bom no macroeconômico, caótico e complicado na política microeconômica, principalmente no que tange as agências reguladoras - alfinetou.