Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Líder chinês diz que estabilidade em Xinjiang é essencial

Forçado a abandonar a cúpula do G8 na Itália por causa da violência étnica no noroeste da China, o presidente chinês, Hu Jintao, declarou que a manutenção da estabilidade social nessa região conflitiva é a "tarefa mais urgente," informou a TV estatal nesta quinta-feira. Xinjiang é rica em gás natural e petróleo.(Leia Mais)

Quinta, 09 de Julho de 2009 às 08:57, por: CdB

Forçado a abandonar a cúpula do G8 na Itália por causa da violência étnica no noroeste da China, o presidente chinês, Hu Jintao, declarou que a manutenção da estabilidade social nessa região conflitiva é a "tarefa mais urgente," informou a TV estatal nesta quinta-feira. Xinjiang é rica em gás natural e petróleo.

Nos distúrbios de domingo na capital de Xinjiang, Urumqi, foram mortas 156 pessoas e outras 1.080 ficaram feridas quando muçulmanos da minoria uigur atacaram chineses da etnia han, majoritária na China. Hu descreveu o conflito como "um crime sério, violento planejado com cuidado e organizado por 'três forças' no país e no exterior", em uma aparente referência a extremistas religiosos, separatistas e terroristas.

Hu, que também é o chefe do Partido Comunista, disse na noite de quarta-feira ao Politburo, o órgão executivo do PC, que as autoridades locais "têm de isolar e golpear o pequeno grupo" de agitadores e "unir e educar a maioria" dos uigures.

O porta-voz do Ministério de Relações Qin Gang não deu importância ao pedido da Turquia de que o Conselho de Segurança da ONU discuta meios de pôr fim à violência na região, afirmando que Xinjiang é um assunto interno.

Milhares de soldados chineses tomaram posição nas ruas de Urumqi afetadas pelos distúrbios, em uma demonstração de força com o objetivo de sufocar a violência étnica.

A TV estatal mostrou Zhou Yongkang, a principal autoridade da China encarregada da segurança, e o ministro da Segurança Pública, Meng Jianzhu, passando em revista soldados usando uniformes camuflados em Urumqi. Meng e Zhou estiveram em ação na repressão em áreas do Tibete depois das amplas manifestações que lá ocorreram no ano passado.

Alguns moradores de Urumqi se perguntam como será possível a coexistência agora entre as duas etnias.

O governo chinês não pode perder o controle de Xinjigan, um vasto território deserto que tem abundantes reservas de petróleo, é a maior região produtora de gás natural na China e faz fronteira com a Rússia, Mongólia, Cazaquistão, Quirguistão,Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão e Índia.

– Toda esta situação pode prosseguir por alguns dias, mas eventualmente o governo tem de usar a força. Não há dúvida sobre isso – disse Bo Zhiyue, pesquisador sênior e especialista em política chinesa no Instituto do Leste da Ásia, da Universidade Nacional de Cingapura.

– Por que se não for usada a força, tudo pode virar uma bola de neve. Pode ficar fora de controle. Qualquer governo teria de fazer a mesma coisa – disse ele.

Os chineses da etnia han, que dizem sentir-se ameaçados depois da violência de domingo, elogiaram a demonstração de força nesta quinta-feira quando os caminhões militares entraram em Urumqi e até tiraram fotografias. Moradores uigures de Urumqi observavam com os rostos tensos.

– Isto me deixa assustado e acho que a idéia é essa – disse uma mulher uigur chamada Adila.

– O que podemos fazer contra tantos soldados? – questionou.

Autoridades pediram que os responsáveis pelos distúrbios se entreguem, do contrário terão de enfrentar duras punições. Li Zhi, chefe do Partido Comunista em Urumqi, disse que vai propor a pena de morte para os agitadores que recorrerem a assassinatos na cidade dividida entre chineses das etnia uigur e han.

Os que se entregarem serão tratados com mais condescendência ou mesmo ficar livres de punição, diz o noticiário divulgado pelo governo. Qualquer pessoa que apresentar provas ou entregar suspeitos será recompensada e protegida pela polícia, dizem as autoridades, que criaram uma linha telefônica especial para isso.

Não ficou claro se as mesquitas iriam abrir em Urumqi nesta sexta-feira, o dia muçulmano do descanso. A abertura das mesquitas poderia permitir um espaço para a expressão de insatisfação. Mas o fechamento pode agravar o descontentamento.

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