Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Lições de mestres

Domingo, 24 de Julho de 2011 às 15:16, por: CdB

Por Haroldo Pacheco da Silveira Santos 24/07/2011 às 20:52

Sobre quando denunciar e sobre como sintonizar com coisas boas.

Um amigo hare krishna e ex-budista cujo nome espiritual era Jaganata faz tempo que não vejo. Aprendi muito com ele.
Certa vez numa cerimônia religiosa hare krishna em que as mulheres ficavam sentadas mais afastadas do centro perguntei-lhe se isto não era machismo. Explicou-me que não, que na visão hare krishna mulheres eram espiritualmente superiores, se os homens ficassem atrás se distrairiam com a beleza feminina mas as mulheres não se distrairiam olhando os homens.
Uma lição que ele me deu há mais de 20 anos só há pouco tempo estou conseguindo às vezes colocar em prática. Disse-me ele que o ser humano tem basicamente duas opções: ser mosca ou ser abelha. A mosca procura sujeira enquanto a abelha procura néctar para produzir mel.
Se não me engano Nietzsche escreveu algo sobre o cuidado que se deve ter ao olhar as profundezas do mal para não se identificar muito com ele.
Acho que a corrupção pelo olhar demais para erros dos outros foi o que ocorreu com um partido político fundado num grande país da América do Sul há pouco mais de 30 anos. De tanto ver sujeira e falar nela ele se sujou muito. Não acredito que aquela agremiação tenha sido fundada para extorquir, enrolar e corromper todo um povo. Foi se deteriorando aos poucos, convicta de ser muito superior.
Uma palestra do sr. Hilário, espírita, complementa a lição do Jaganata: Sempre que a gente atira lama para sujar imagem dos outros nossas mãos também ficam sujas. Sempre.
Como explicam outros mestres o não julgar pessoas não significa perdermos o senso crítico, o discernimento sobre atitudes inadequadas de outros. E há pessoas designadas para funções de denunciar, averiguar, julgar, condenar e fiscalizar.
Penso que quem como eu gosta de escrever porque se expressa melhor desta forma e às vezes sente necessidade ou obrigação de denunciar precisa de vez em quando se recolher e até evitar ver determinadas coisas. Penso que é uma necessidade como a do psicólogo que de vez em quando precisa fazer terapia.
É bom lembrar daquilo que uma pessoa legal, a Tilly, me relembrou certa vez: Você não é menos nem mais do que ninguém.

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